BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 23, que não é justo os pobres serem "sacrificados" enquanto "um cidadão" do Banco Master "deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões". Com essa declaração, Lula volta a falar sobre um tema que até pouco tempo estava fora de seus discursos, o caso Master, um escândalo financeiro com conexões políticas que se agravou com a prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, em 17 de novembro, e a liquidação da empresa no dia seguinte.
Sem citar o nome de Vorcaro, nem de seus sócios, Lula disse que há pessoas que defendem esse tipo de prática e lembrou que o prejuízo será coberto pelos bancos.
"Não é possível que a gente continue vendo o povo ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. Mais de R$ 40 bilhões. Quem vai pagar são os bancos, é o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica que vai pagar, é o Itaú. Um cidadão deu um desfalque de R$ 40 bilhões neste País e tem gente que defende, porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara", declarou Lula em Maceió (AL), durante evento de entrega de 1.337 casas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em Maceió (AL).
O presidente voltou a defender a distribuição de renda e de medidas do governo como o Gás para Todos, o Bolsa Família e a distribuição de renda. Em tom eleitoral, Lula, pré-candidato à reeleição, afirmou que este 2026 é o "ano da verdade" e, em uma indireta à oposição, pediu para que a plateia não coloque a "raposa para cuidar do galinheiro".
Eleição 2026
Lula reafirmou que viajará pelo Brasil durante o ano e disse que não quer confronto físico com a oposição. "Vamos para a rua. Não queremos fazer confrontação física, o que queremos é confrontação de realização", disse, citando programas de seu governo.
"Se preparem, porque este ano eu vou andar neste País. Vou percorrer cada rincão deste País, junto com essa turma aqui. Nós vamos garantir que a democracia vai prevalecer nesse País e que vença a disputa eleitoral aquele que o povo brasileiro quiser", falou ao público que acompanhava o evento.
O presidente defendeu ainda o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas: "Quando alguém fala que a urna eletrônica permite roubar, eu digo sempre que se a urna eletrônica permitisse roubar, o Lulinha não seria três vezes presidente da República deste País. A elite brasileira já teria roubado há muito tempo".
O petista pediu ainda para que seus apoiadores "ajudem a controlar o celular" e a "não passar a mentira para frente", referindo-se a desinformação.
Participaram do evento nomes como o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB); o prefeito de Maceió, JHC; os ministros da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos; da Saúde, Alexandre Padilha; da Casa Civil, Rui Costa; das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; dos Transportes, Renan Filho; e das Cidades, Jader Filho.
Mais cedo, Lula foi à cerimônia de entrega de Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) e de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a Alagoas dentro do programa Agora Tem Especialistas.