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Lula diz ter discutido com Xi Jinping avanços das negociações para acordo entre Mercosul e China

Segundo relato do presidente brasileiro, telefonema durou mais de uma hora e também tratou de guerras na Ucrânia e em Gaza, além de tecnologia, minerais críticos e fertilizantes

27 jul 2026 - 03h07
(atualizado às 07h21)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter discutido com o líder chinês, Xi Jinping, o avanço das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. O telefonema ocorreu na noite deste domingo, 26, e durou mais de uma hora, de acordo com comunicado publicado pelo petista no X durante a madrugada desta segunda-feira, 27.

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A conversa estava prevista para começar às 22h. O conteúdo da ligação foi relatado por Lula, que disse ter ressaltado o compromisso do governo brasileiro com a diversificação de mercados e parceiros comerciais.

"Coincidimos a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, que contemple as necessárias flexibilidades", escreveu o presidente. Lula não detalhou quais pontos poderiam ser flexibilizados nem apresentou um prazo para a conclusão das negociações.

Segundo relato do presidente brasileiro, telefonema durou mais de uma hora e também tratou de tecnologia, minerais críticos e fertilizantes
Segundo relato do presidente brasileiro, telefonema durou mais de uma hora e também tratou de tecnologia, minerais críticos e fertilizantes
Foto: Wilton Junior/WILTON JUNIOR/Estadão / Estadão

Segundo o relato, os dois presidentes também trataram da aproximação entre os projetos nacionais de desenvolvimento de Brasil e China. Lula afirmou que ambos reiteraram a intenção de ampliar a cooperação em setores considerados estratégicos e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.

O presidente brasileiro disse ainda que a conversa abordou os resultados do comércio bilateral, as jornadas culturais realizadas neste ano nos dois países e o acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração. Na avaliação apresentada por Lula, essas iniciativas podem ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócios.

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Os conflitos internacionais também fizeram parte do telefonema, conforme o comunicado. Lula afirmou que ele e Xi lamentaram a multiplicação das guerras e discutiram os efeitos das crises sobre a segurança alimentar e energética, além das perdas humanas e materiais.

Ao tratar do Oriente Médio, Lula disse que os dois líderes concordaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm "efeitos nefastos sobre a economia mundial". Segundo o presidente brasileiro, ambos também manifestaram "profunda preocupação" com a situação humanitária na Faixa de Gaza.

Sobre a guerra na Ucrânia, Lula afirmou que os dois consideram que o Grupo de Amigos da Paz pode contribuir para a retomada das negociações destinadas a encerrar o conflito. Criada por iniciativa de Brasil e China, a articulação reúne países que defendem uma solução negociada para a guerra.

Lula relatou ainda críticas à "incapacidade" do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder às crises internacionais. De acordo com o presidente, Brasil e China reiteraram o compromisso com o multilateralismo e combinaram manter a coordenação na ONU, no Brics e em outros fóruns internacionais.

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