Lula diz que discute com BC proibir bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa

Em entrevista ao Flow Podcast, presidente e candidato à reeleição chamou juros da modalidade de 'crime'

1 out 2026 - 23h42
(atualizado às 23h46)
Resumo
O presidente Lula afirmou que discute com o Banco Central a proibição de bancos emitirem mais de um cartão de crédito por pessoa, classificando como "crime" a distribuição indiscriminada e os juros rotativos abusivos, que chegam a quase 500% ao ano. A declaração ocorre em meio a recordes de endividamento e inadimplência das famílias brasileiras, cenário que motivou o anúncio recente de uma nova fase do programa Desenrola, com custo estimado em R$ 15 bilhões para renegociar débitos populares.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, criticou nesta quinta-feira, 1º, os juros cobrados no cartão de crédito, classificou a situação como um "crime" e afirmou que o governo discute com o Banco Central uma forma de limitar a quantidade de cartões concedidos a cada pessoa.

"Quanto é que o povo paga? É 493%, 500% (ao ano) no cartão de crédito. Dá para fazer (alguma coisa). É o que eu estou exigindo que faça agora", afirmou Lula em entrevista ao Flow Podcast, concedida após Lula decidir não ir ao debate entre candidatos à Presidência promovido pela TV Globo.

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O encontro entre presidenciáveis estava previsto para esta quinta-feira, 1º, mas foi cancelado após uma série de decisões da Justiça que interferiam nas regras propostas pela emissora.

Em entrevista ao Flow Podcast, presidente e candidato à reeleição chamou juros do cartão de ‘crime’
Em entrevista ao Flow Podcast, presidente e candidato à reeleição chamou juros do cartão de ‘crime’
Foto: Reprodução/Lula via Youtube / Estadão

Na sequência, o presidente criticou a oferta de cartões pelas instituições financeiras. "É um crime. Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você", declarou.

O presidente afirmou que o tema está sendo discutido com a autoridade monetária e antecipou uma possível restrição. "Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas", declarou.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão chegou a 449,4% ao ano em agosto, uma das modalidades mais caras do sistema financeiro.

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Durante a entrevista, Lula relacionou ainda a facilidade de acesso ao crédito ao endividamento das famílias e afirmou que o governo pretende adotar medidas para reduzir esse tipo de exposição dos consumidores.

Desenrola x endividamento recorde

Na semana passada, a nove dias das eleições, Lula anunciou uma nova fase do programa Desenrola, de renegociação de dívidas. Chamado de Desenrola 3.0, a proposta prevê a compra de dívidas antigas das famílias pelo governo com desconto. O custo deve ser de cerca de R$ 15 bilhões aos cofres públicos.

O primeiro programa Desenrola foi lançado pelo governo em 2023, com a exclusão das famílias dos cadastros de inadimplência para dívidas de até R$ 100, e renegociação de dívidas para pessoas com renda de até R$ 20 mil. Segundo balanço do governo Lula, R$ 53 bilhões em dívidas foram renegociadas e 15 milhões de pessoas atendidas.

Já a segunda fase do Programa ocorreu há pouco meses, em meio deste ano, e incluiu estudantes, micro e pequenas empresas, além de dívidas rurais. Depois, o governo ainda lançou um novo braço do programa, para famílias que pagavam suas contas em dia, o Desenrola Adimplentes.

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Ainda assim, os indicadores de endividamento e inadimplência continuaram batendo recordes. Pelos dados do Banco Central, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 28,85% em junho, último dado disponível, o maior número da série. Já o endividamento das famílias sobre a renda em 12 meses chegou 49,72% no mesmo mês, muito próximo do recorde de 49,92% de janeiro deste ano.

A inadimplência, segundo o Banco Central, chegou a 7,8% do total da carteira para pessoas físicas (do crédito livre, sem subsídio) também o patamar recorde. Pelos dados da CNC, o porcentual de famílias endividadas chegou a 82% em julho, também o maior da série que teve início em janeiro de 2010.

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