Lula confirma Dario Durigan como ministro da Fazenda no lugar de Haddad

Atual ministro confirmou saída da pasta nesta quinta-feira, 19, e exaltou pacto federativo ao falar de seu período no cargo; ele deve concorrer ao governo de São Paulo

19 mar 2026 - 13h22
(atualizado às 13h31)

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira, 19, que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, assumirá a pasta no lugar de Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, nas eleições gerais deste ano.

A confirmação veio quando Lula lia a chamada "nominata" (lista de participantes de um evento) durante a abertura da 17ª Caravana Federativa na cidade de São Paulo.

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"Quero cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí. Levanta para as pessoas conhecerem o Dario. Ele será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda, a partir do anúncio do Haddad (sobre a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes). Então, pode olhar para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", declarou o presidente.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que assumirá a pasta no lugar de Fernando Haddad
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que assumirá a pasta no lugar de Fernando Haddad
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Lula falou de todos os seus ministros. O primeiro foi o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. O segundo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Depois, vieram outros. Ao todo, 14 foram nominados pelo presidente.

"Eu vou ler a nominata toda hoje, que eu não costumo ler, pra agradecer, porque estamos chegando no final do mandato de muita gente. E é importante agradecer o trabalho que muitos deputados fizeram para que a gente pudesse chegar até onde nós chegamos aqui", declarou.

Haddad exalta pacto federativo

Haddad confirmou que está deixando o comando da pasta e aproveitou o anúncio para fazer um balanço da gestão econômica do governo, destacando o papel do Congresso Nacional e a articulação com Estados e municípios para os resultados alcançados.

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"Hoje, pra mim, é um dia especial, um dia que eu estou deixando o Ministério da Fazenda", disse Haddad, durante a cerimônia. Após meses afirmando que não disputaria as eleições neste ano, o ministro deverá ser candidato ao governo de São Paulo a pedido de Lula. Ambos devem fazer o anúncio mais tarde durante evento em São Bernardo do Campo (SP).

Haddad afirmou ter visitado, na véspera, os presidentes da Câmara e do Senado para reconhecer o empenho do Legislativo na aprovação de medidas consideradas essenciais para a recuperação econômica do País. O ministro destacou a atuação do Congresso na aprovação de medidas que, segundo ele, corrigiram distorções tributárias. Entre elas, mencionou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil e a tributação de rendas mais elevadas, com foco em dividendos antes isentos.

O ministro atribuiu parte relevante do desempenho recente da economia à reconstrução do pacto federativo. De acordo com ele, a coordenação entre União, governadores e prefeitos foi determinante para viabilizar reformas e políticas públicas, permitindo, por exemplo, o crescimento econômico acima da média da última década, a redução do desemprego ao menor nível da série histórica e o controle da inflação no período recente.

Haddad também ressaltou que o governo federal não leva em consideração a filiação partidária de governadores na hora de apoiar financeiramente os Estados. Como exemplo, citou o programa de renegociação de dívidas estaduais (Propag), afirmando que a iniciativa buscou devolver capacidade de investimento aos entes federativos, inclusive aos mais ricos, como São Paulo.

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Haddad afirmou ainda que o apoio dos parlamentares foi fundamental para evitar o que classificou como "enormes injustiças" contra trabalhadores, com destaque para a aprovação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) e a reforma tributária.

Outro ponto enfatizado foi o reforço no financiamento a Estados e municípios. O ministro destacou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mais do que dobrou os aportes para entes subnacionais, além da liberação de aval para captação de recursos externos destinados a obras de infraestrutura, saúde, educação e assistência social.

Para Haddad, a retomada de investimentos públicos e a ampliação do crédito foram decisivas para impulsionar o crescimento e gerar emprego e renda. Ele defendeu que a manutenção desse ambiente de cooperação institucional é essencial para a continuidade da agenda econômica.

Ao encerrar, o ministro afirmou que o espírito de cooperação entre diferentes níveis de governo — que, segundo ele, marcou a formação da chapa presidencial em 2022 — deve orientar também as próximas eleições e a atuação dos futuros gestores públicos.

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