BRASÍLIA - O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central repetiu nesta quinta-feira, 19, que a liquidação extrajudicial das instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O colegiado acrescentou que os mecanismos de proteção existentes associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, "evidenciando a capacidade de absorção de choques e resiliência do sistema financeiro". A avaliação consta na ata da 64ª reunião do Comef, publicada na manhã desta quinta.
O colegiado também destacou que o plano de recomposição da liquidez do FGC foi aprovado por seu Conselho de Administração e iniciado em março deste ano.
Pontuou ainda que as medidas estabelecidas pelas Resoluções nº 5.114 e nº 5.238 de dezembro de 2024 e agosto de 2025, respectivamente, ambas do Conselho Monetário Nacional (CMN), "já produzem efeitos, contribuindo para a redução do número de instituições financeiras com elevada dependência de funding garantido pelo FGC".
Eventual contaminação
O Comef afirmou ainda que segue atento à evolução dos cenários doméstico e internacional e está preparado para atuar de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional sobre os preços dos ativos locais.
"O Comitê segue entendendo que políticas macroeconômicas que aumentem a previsibilidade fiscal, que reduzam os prêmios de risco e a volatilidade dos ativos contribuem para a estabilidade financeira e, consequentemente, melhoram a capacidade de pagamento dos agentes", afirmou.
O colegiado ponderou que o cenário global prospectivo segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais.
Disse também que as incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram.
"Somam-se a essas incertezas aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco", emendou.