Lucro da JBS fica quase estável no 4º tri e cresce 14,5% em 2025; guerra eleva custos, diz CEO

25 mar 2026 - 18h30
(atualizado às 19h35)

A JBS, maior empresa de carnes do mundo, reportou nesta quarta-feira um lucro líquido ‌praticamente estável no quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, com margens menores especialmente em seu negócio de carne bovina nos Estados Unidos limitando os efeitos positivos de uma receita recorde.

A companhia brasileira registrou um lucro líquido de US$415 milhões para o período de outubro a dezembro, um aumento de 0,5% e ligeiramente abaixo dos US$428 milhões estimados por analistas consultados pela LSEG. Em 2025, o resultado líquido aumentou 14,5% em relação a 2024, para US$2,024 bilhões, com a empresa registrando vendas maiores ⁠em todos os negócios, para um recorde de receita de US$86,18 bilhões.

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Para 2026, a JBS considera que o cenário de oferta de gado ‌nos EUA seguirá difícil, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário, mas há atenuantes como a forte demanda por proteínas, disse o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.

Ainda que a JBS opere com outras ‌carnes, como de frango e suína em outras regiões e também nos EUA, ‌a situação da oferta de gado é particularmente desafiadora já que a unidade de carne bovina norte-americana representou pouco mais ⁠de 30% do total da receita da empresa em 2025.

"Achamos que este ano não tem mudança significativa (na oferta de gado dos EUA), vai continuar sendo um ano difícil para nós", afirmou o executivo.

A demanda firme, juntamente com a diversificação geográfica e de produtos da JBS, deverá colaborar para minimizar impactos desta conjuntura.

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"Veja o valor da nossa plataforma, tem um negócio que é 30% do nosso negócio, com margem negativa (de -1,1% na média de 2025), e a gente consegue continuar crescendo dada essa diversificação tanto de proteína quanto de ‌região", afirmou Tomazoni.

A receita líquida saltou 15% no quarto trimestre, para um recorde de US$23,06 bilhões, superando as expectativas dos analistas de US$22,38 ‌bilhões, já que suas operações de carne ⁠bovina na América do Norte e ⁠no Brasil registraram vendas fortes.

"O crescimento (na receita) foi em todos os nossos negócios. Se anualizasse o quarto trimestre, chegaríamos a US$92 bilhões, um caminho ⁠claro de entregar crescimento", afirmou Tomazoni.

Ele citou que a tendência de aumento da ‌demanda por carnes deverá continuar, já que ‌as pessoas estão incorporando proteínas em suas dietas mundo afora. "Agora o consumo tem aumento estrutural adicional", afirmou, reforçando que isso vai além do crescimento populacional.

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O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 7%, para US$1,72 bilhão no trimestre, mas ficou acima dos US$1,56 bilhão previstos pelos analistas.

A margem Ebitda ajustada caiu 1,8 ponto percentual, para 7,4%, sendo ⁠pressionada pela menor disponibilidade de boi para abate nos EUA que elevou os preços do gado naquele país.

No ano passado completo, o Ebitda ajustado foi de US$6,8 bilhões, queda de 5% ante 2024.

Logo após a divulgação dos resultados, a ação da companhia avançou 1,75% no pós-mercado em Nova York. A alta ocorreu ainda após o conselho de administração da JBS ter aprovado dividendo de US$1 por ação, a ser pago em 17 de junho.

GUERRA NO IRÃ E ‌COTA DA CHINA

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Outros desafios estão relacionados à guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que tem aumentado custos com transporte dos produtos, por conta da alta dos combustíveis e das alternativas mais caras para entregar carnes no Oriente Médio.

"Teve aumento ⁠de custos logísticos. Não houve interrupção (nas entregas), os fluxos estão mantidos, mas mudou a logística nos portos e adicionou transporte rodoviário nos países...", disse.

Ele sinalizou que a demanda por proteínas na região do Golfo Pérsico não foi afetada pela guerra.

"Não afetou o negócio, tem um custo adicional, que está sendo assumido pelos importadores ou pelo mercado como um todo", afirmou ele, lembrando que companhia tem três fábricas na região do Oriente Médio, que estão funcionando normalmente.

A JBS, assim como outros exportadores de carne bovina, enfrenta em 2026 uma restrição para ampliar embarques para a China, o principal mercado externo da empresa, já que o país asiático colocou uma cota anual de pouco mais de 1 milhão de toneladas para o Brasil, e uma taxa proibitiva de 55% ao que exceder esse volume.

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"A questão da cota é um fato. O Brasil vai cumprir a cota e vai ter que colocar em outros mercados os volumes adicionais que não vão para China", afirmou o CEO, destacando que a empresa tem trabalhado para desenvolver canais alternativos ao que seria vendido aos chineses.

Ele disse também que as vendas nos mercados internos, com investimentos específicos, devem colaborar para amenizar os impactos de limites tarifários nos embarques para a China.

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