IPCA-15 sobe bem mais que o esperado em fevereiro impactado por mensalidades escolares e transportes

27 fev 2026 - 09h09
(atualizado às 10h16)

Os preços das mensalidades escolares e dos ‌transportes pressionaram a inflação e o IPCA-15 subiu bem mais do que o esperado em fevereiro, em meio a expectativa de cortes de juros pelo Banco Central em março.

Escola em Brasília 
11/04/2013. 
REUTERS/Ueslei Marcelino
Escola em Brasília 11/04/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em fevereiro avanço de 0,84%, depois de subir 0,20% em janeiro, resultado que ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ⁠alta de 0,57%.

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Ainda assim, os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ‌mostraram que, em 12 meses, a alta do IPCA-15 desacelerou a 4,10%, de 4,50% no mês anterior. No entanto, também ficou bem acima da projeção de 3,82%.

A meta contínua ‌para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, ‌com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Com a ⁠taxa básica de juros em 15%, o BC volta a se reunir no mês que vem para decidir sobre a Selic em meio a amplas expectativas de que inicie um ciclo de cortes.

"Embora o IPCA-15 capture efeitos sazonais típicos de fevereiro, os dados indicaram deterioração qualitativa. Ainda assim, mantemos a avaliação de que o quadro inflacionário brasileiro segue em processo ‌de desinflação", disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, que segue vendo o início dos cortes ‌dos juros pelo BC em ⁠março.

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MENSALIDADES E PASSAGENS AÉREAS

Em ⁠um efeito sazonal, os preços do grupo Educação subiram 5,20% em fevereiro, após marcar uma variação positiva ⁠de 0,05% em janeiro, por causa dos ‌reajustes nas mensalidades de escolas e ‌cursos que ocorrem no início do ano letivo.

A maior contribuição foi dada pelos cursos regulares (+6,18%), com altas dos preços do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%).

Mas o que exerceu o maior peso sobre o índice do mês foi o aumento de ⁠1,72% dos Transportes, após queda de -0,13 no mês anterior, com as passagens aéreas subindo 11,64%. Já os combustíveis avançaram 1,38% em fevereiro apesar do corte de preços nas refinarias pela Petrobras, com altas nos preços do etanol (2,51%), da gasolina (1,30%) e do óleo diesel (0,44%).

Já no grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,20% em fevereiro, ‌abaixo da taxa de 0,31% de janeiro, com alta de 0,09% da alimentação no domicílio.

Tiveram alta tomate (10,09%) e carnes (0,76%), enquanto os preços do arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) ⁠recuaram.

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André Valério, economista sênior do Inter, destacou deterioração do índice na margem, com a inflação de serviços acelerando de 0,15% para 1,49% em fevereiro, ainda que amplamente influenciada pelas altas em Educação e nas passagens aéreas.

"O dado de hoje apresenta um viés negativo, tanto quantitativamente quanto qualitativamente, entretanto, foi bastante influenciado pela sazonalidade", disse ele.

"Não antecipamos que o resultado de hoje influencie significativamente o Copom para sua decisão em março. Esperamos que o comitê corte a Selic em 50 pontos base na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso."

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção de analistas para o IPCA este ano é de alta de 3,91% e de 3,80% em 2027.

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

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