RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho, após ter avançado 0,41% em junho, informou nesta terça-feira, 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, o índice registrou um aumento de 3,51% no acumulado do ano. Em 12 meses, a alta foi de 4,52% (acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%), ante taxa de 4,80% até junho.
O resultado ficou abaixo do piso das expectativas na pesquisa Projeções Broadcast, de 0,17%. O teto era de 0,28%, com mediana positiva de 0,21%. O dado em 12 meses também ficou menor do que o piso das projeções (4,63%; teto em 4,74%, com mediana de 4,67%).
O IPCA-15 de julho confirma o bom momento da inflação, apesar da guerra entre Estados Unidos e Irã, "sem nenhum efeito de segunda ordem relevante". A avaliação é da equipe de inflação e commodities da BGC Liquidez, que esperava 0,24% para o dado mensal.
Segundo o economista da MAG Investimentos Rafael Rondinelli, a leitura de julho do índice, abaixo do esperado, deve reforçar a postura do Banco Central de cortar mais uma vez a taxa Selic na reunião da semana que vem. Para ele, porém, a leitura positiva nesta divulgação não altera o quadro de que a inflação como um todo segue pressionada.
Rondinelli destaca as variações abaixo do esperado em alimentos e habitação e, em relação às métricas mais correlacionadas com a política monetária, menciona que houve variação mensal abaixo do esperado nos serviços subjacentes, na média dos núcleos e no índice de difusão.
Dos nove grupos pesquisados, habitação foi o de maior variação e impacto (0,97% e 0,15 ponto porcentual), em oposição à alimentação e bebidas, grupo com a menor variação e impacto (-0,66% e -0,15 p.p.). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,33% de vestuário e a alta de 0,28% de saúde e cuidados pessoais.
No grupo da habitação, a energia elétrica residencial subiu 3,03%, sendo o principal impacto individual no resultado do mês (0,12 p.p.). Além da vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos, a alta reflete a incorporação de reajustes tarifários em algumas capitais.
Os preços de alimentação e bebidas caíram 0,66% em julho, após alta de 0,74% em junho. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,14 ponto porcentual para o IPCA-15. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve queda de 1,14% em julho, após ter avançado 0,87% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55%, ante alta de 0,40% em junho.
Os preços de transportes subiram 0,11% em julho, após queda de 0,03% em junho. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,02 ponto porcentual para o IPCA-15.
Os preços de combustíveis tiveram queda de 0,90% em julho, após recuo de 1,22% no mês anterior. A gasolina caiu 0,68%, após ter registrado queda de 0,73% em junho, enquanto o etanol recuou 2,50% nesta leitura, após queda de 5,30% na última.
O Estadão/Broadcast calcula o impacto de cada grupo no IPCA-15 com base na variação mensal e no peso mensal disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). O resultado pode ter divergências pontuais com o impacto divulgado pelo IBGE, que considera mais casas decimais do que as disponibilizadas publicamente na taxa de cada item.