Reta final do ano: pesquisa revela desafios dos pequenos empreendedores para prever o fluxo de caixa diante de eventos externos

Levantamento mostra que um em cada quatro empreendedores tem dificuldade para prever o fluxo de caixa diante de eventos externos e que 37% apontam a incerteza nas vendas futuras como principal obstáculo ao planejamento financeiro

27 jul 2026 - 18h31

Com a aproximação da reta final do ano, pequenos empreendedores começam a revisar projeções, organizar despesas e se preparar para um período marcado por mudanças no ritmo das vendas, pagamentos de tributos, férias e compromissos de fim de ano. Nesse contexto, prever com maior precisão o dinheiro que deve entrar e sair da empresa se torna ainda mais importante — e também evidencia um dos principais desafios enfrentados por esse público.

Uma boa gestão do fluxo de caixa contribui para enfrentar períodos de instabilidade
Uma boa gestão do fluxo de caixa contribui para enfrentar períodos de instabilidade
Foto: one photo | Shutterstock / Portal EdiCase

Pesquisa realizada pela Cora mostra que a cada quatro pequenos empreendedores, um enfrenta dificuldades para prever o fluxo de caixa por causa de eventos externos, como crises econômicas, mudanças no comportamento do consumidor e eventos climáticos.

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"A reta final do ano costuma exigir ainda mais atenção ao planejamento financeiro, porque reúne variações nas vendas e despesas adicionais. É um momento importante para que os empreendedores revisem suas projeções e acompanhem o caixa de forma mais próxima", afirma Igor Senra, CEO e cofundador da Cora.

O levantamento mostra ainda que 37% dos pequenos empreendedores apontam a incerteza sobre as vendas futuras como o principal fator que dificulta prever o dinheiro que entra e sai. Em períodos de maior movimentação e mudanças no comportamento de consumo, acompanhar as vendas e atualizar as projeções com frequência é essencial para reduzir riscos e preservar a saúde financeira da empresa.

"O principal desafio para muitos empreendedores não é apenas controlar os gastos, mas antecipar as receitas. Quando há dúvidas sobre o comportamento das vendas, todo o planejamento financeiro do negócio se torna mais complexo", afirma Igor Senra. "Quanto antes o empreendedor acompanhar esses sinais e revisar seus cenários, maior tende a ser sua capacidade de tomar decisões com menos pressão e mais previsibilidade", completa.

Como se preparar para períodos de maior incerteza

Embora acompanhar o fluxo de caixa seja uma das principais ferramentas para enfrentar períodos de maior incerteza, apenas 56% dos pequenos empreendedores afirmam fazer esse acompanhamento com frequência, segundo a pesquisa da Cora. Diante desse cenário, Igor Senra lista algumas recomendações para ajudar os pequenos negócios a organizar as finanças e chegar mais preparados aos últimos meses do ano.

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1. Trabalhe com diferentes cenários

Em vez de construir uma única projeção para os próximos meses, vale elaborar cenários alternativos — por exemplo, um mais otimista, um intermediário e outro mais conservador. Assim, caso o comportamento das vendas mude ao longo dos últimos meses do ano, o empreendedor consegue reagir mais rapidamente e tomar decisões com maior segurança.

2. Revise as projeções de vendas continuamente

Datas comerciais, férias e mudanças sazonais no comportamento do consumidor podem alterar o ritmo das vendas na reta final do ano. Em vez de elaborar uma previsão única para todo o semestre, vale revisar estimativas periodicamente, incorporando novos dados e ajustando compras, estoques e despesas conforme o desempenho real do negócio.

Avaliar o impacto financeiro de cada decisão ajuda a reduzir a necessidade de recorrer a crédito de emergência caso o cenário mude
Foto: fizkes | Shutterstock / Portal EdiCase

3. Preserve liquidez antes de assumir novos compromissos

Antes de um período que pode reunir despesas adicionais e oscilações nas vendas, manter uma reserva de caixa ou preservar capital de giro pode ser mais importante do que acelerar investimentos ou ampliar despesas fixas. Avaliar o impacto financeiro de cada decisão ajuda a reduzir a necessidade de recorrer a crédito de emergência caso o cenário mude.

4. Evite depender de medidas emergenciais

O levantamento revela que, diante de dificuldades financeiras, muitos empreendedores acabam recorrendo a soluções imediatas: 37% cortam custos, 34% fazem promoções para gerar caixa rapidamente, 25% utilizam dinheiro pessoal ou recorrem a familiares e sócios e 24% recorrem ao cheque especial ou ao limite de crédito. Essas medidas podem ser necessárias em situações específicas, mas o ideal é que sejam exceções, não parte da rotina. 

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"Quanto mais cedo o empreendedor consegue identificar uma possível pressão sobre o caixa, maior é a chance de tomar decisões planejadas, negociar prazos, ajustar despesas ou rever investimentos antes que seja necessário recorrer a soluções emergenciais", analisa Igor Senra.

Por Gabriela Cardoso

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