A alta do IPCA-15 em julho desacelerou bem mais do que o esperado diante da queda dos preços dos alimentos, com a taxa em 12 meses aproximando-se mais da meta de inflação, a uma semana da próxima decisão do Banco Central sobre a taxa de juros.
Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,06%, após avanço de 0,41% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
Com isso, o IPCA-15 passou a acumular nos 12 meses até julho alta de 4,52%, contra 4,80% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
As expectativas em pesquisa da Reuters eram de avanços de 0,20% na comparação mensal e de 4,67% em 12 meses.
O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária, depois de ter cortado a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, deixando os próximos passos em aberto e indicando que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028.
"Para o mercado financeiro, o dado reforça a percepção de que o Banco Central ganhou mais espaço para seguir reduzindo a Selic de forma gradual. Ainda há desafios, principalmente na inflação de serviços e nas questões fiscais, mas esse resultado fortalece a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom", disse Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD.
Em julho, os preços de Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,66%, após alta de 0,74% no mês anterior. A alimentação no domicílio teve queda de 1,14%, com destaque para os recuos do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). Por outro lado, cebola (7,10%) e pão francês (0,65%) apresentaram altas.
Habitação teve o maior impacto positivo ao subir 0,97%, acelerando ante a taxa de 0,72% de junho. A energia elétrica residencial subiu 3,03%, exercendo o principal impacto individual no resultado do IPCA-15 no mês.
A bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil neste mês permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O grupo Transportes teve alta de 0,11% em julho no IPCA-15, depois de recuar 0,03% no mês anterior, reflexo do aumento de 11,70% nos preços da passagem aérea. Por outro lado, os combustíveis caíram 0,90%, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).
Nas contas de André Valério, economista sênior do Inter, a inflação de serviços ficou praticamente estável ao sair de 0,4% em junho para 0,41% em julho, movimento explicado pelo comportamento das passagens aéreas. Excluindo esse item, a inflação de serviços recuou de 0,26% em junho para 0,15% em julho.
"A inflação de serviços não indica ser fonte de pressão inflacionária com base nas duas últimas leituras, reforçando a visão de que a demanda da economia tem moderado na margem", afirmou, ressaltando ainda que o índice de difusão recuou de 60,2% para 48,2%, menor valor desde outubro de 2023.
"Temos visto cada vez mais evidências de que a política monetária restritiva tem contribuído para moderar a atividade, contribuindo para menores pressões de demanda na inflação", completou ele, que vê a Selic a 13,25% ao final do ano.
De acordo com a mais recente pesquisa Focus do BC, a projeção dos economistas para o IPCA este ano é de alta de 5,12%, e de 4,22% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 14,00%.
O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
(Edição de Pedro Fonseca)