A Zeom, fintech de tecnologia financeira e investimentos globais fundada por brasileiros e sediada em Londres, criou dois novos indicadores para acompanhar a inflação das famílias de média e alta renda, com ganhos entre R$ 30 mil e R$ 100 mil por mês: o Índice Zeom de Custo de Vida e o Índice Zeom de Alto Padrão. E os primeiros dados divulgados pela empresa mostram uma diferença significativa em relação à inflação oficial do País.
No caso do Índice Zeom de Alto Padrão, a pesquisa mostra que, em 12 meses, quem tem esse perfil de consumo teve inflação acumulada de 8,1%. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 4,6%, uma diferença de 75%. O Índice Zeom de Alto Padrão mede o padrão de vida premium e acompanha exclusivamente bens e serviços característicos de famílias de alta renda.
Já o Índice Zeom de Custo de Vida incorpora despesas comuns a toda a população, como energia elétrica, combustíveis e telefonia, e registrou aumento de 6,3% no período, indicando que o custo de vida das famílias de maior renda evoluiu acima da média da economia.
Para a construção dos indicadores, a empresa informa que utiliza inteligência artificial (IA) para monitorar continuamente milhares de preços públicos, validar automaticamente as informações, preservar a comparabilidade dos produtos ao longo do tempo e consolidar séries históricas que permitem medir a evolução da inflação de diferentes perfis de consumo.
Rafael Pereira, cofundador da Zeom, afirma que o ponto de partida do projeto foi entender se a simples alteração da composição da cesta de consumo seria suficiente para explicar a diferença em relação ao IPCA.
"Quando aplicamos os pesos das famílias de maior renda às séries oficiais, percebemos que a diferença era pequena. A principal descoberta do estudo está nos preços efetivamente pagos por esse público. Foi a partir daí que desenvolvemos uma infraestrutura proprietária baseada em IA para acompanhar continuamente essa dinâmica e construir indicadores capazes de retratar uma realidade que os índices tradicionais não capturam", afirma Pereira.
Em pesquisa realizada pela Zeom, foi constatado que, entre as categorias que mais pressionaram o custo de vida desde 2018, estão os planos de saúde de alto padrão, com alta acumulada de 145,5%; os restaurantes, com aumento de 92,4%; os aluguéis residenciais em São Paulo, com valorização de 80,5%; e o preço nominal do modelo de entrada do iPhone, que dobrou no período.
Segundo Pereira, o estudo não pretende substituir os indicadores oficiais, mas ampliar a compreensão sobre como diferentes perfis de consumo convivem com dinâmicas distintas de inflação. "O IPCA continua sendo a principal referência para medir a inflação da economia brasileira. O que mostramos é que diferentes perfis de renda convivem com dinâmicas próprias de formação de preços", afirma.
A Zeom Research, braço de pesquisa da companhia, informa que os novos indicadores serão divulgados após a publicação do IPCA pelo IBGE. Cada edição reunirá os índices, análises por categoria, séries históricas, comparativos entre perfis de renda e estudos que ampliem o acompanhamento da evolução do custo de vida das famílias brasileiras de média e alta renda.