A produção industrial da zona do euro caiu inesperadamente em janeiro, segundo dados da Eurostat divulgados nesta sexta-feira, lançando dúvidas sobre a recuperação há muito prevista para o setor, especialmente porque o recente aumento nos custos de energia também pesará sobre a demanda.
A produção nos 21 países que compartilham o euro caiu 1,5% no mês, contra expectativa de crescimento de 0,6%. Na comparação com o ano anterior, a produção recuou 1,2%, ante expectativa de crescimento de 1,4% em uma pesquisa da Reuters com economistas.
A indústria está estagnada há anos e sua produção ainda está abaixo do nível de 2021, uma vez que os altos custos de energia, o acirramento da concorrência da China, as tarifas dos Estados Unidos, o crescimento fraco da produtividade e a demanda global baixa por carros europeus prejudicam o bloco.
A produção na Alemanha, o maior país da zona do euro e o principal fabricante de automóveis do bloco, está 9% abaixo do nível de 2021 e vem apresentando tendência de queda há anos, mantendo a economia alemã em geral estagnada nos últimos três anos.
Esperava-se que a indústria da zona do euro se recuperasse este ano, em parte devido aos gastos do governo alemão com defesa e infraestrutura, mas o recente salto nos custos de energia lançou uma sombra sobre essa recuperação.
Os preços do petróleo subiram cerca de dois terços desde o início do ano e os custos do gás natural avançaram cerca de 80% devido à guerra liderada pelos EUA no Irã, um golpe duplo para o setor pois aumenta os custos e reduz o poder de compra.
A Europa é um importador de energia e sua indústria é especialmente sensível aos choques nos preços das commodities, pois o bloco tem relativamente poucos recursos naturais.