O Ibovespa fechou quase estável nesta segunda-feira, com bancos pressionando negativamente o índice em meio a preocupações com o cenário de crédito no país, além do pedido de recuperação judicial bilionário da Casas Bahia, enquanto Petrobras atuou como contrapeso, com apoio do avanço dos preços do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com decréscimo de 0,09%, a 166.783,57 pontos, após ajustes. Na sessão, marcou 166.463,50 pontos na mínima e 168.006,60 na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$24,38 bilhões
Com tal desempenho, o Ibovespa atingiu 10 sessões seguidas com fechamento negativo, agora a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.
Na visão de analistas do Citi, a "volatilidade permanecerá elevada à medida que as eleições passem a ocupar o centro das atenções, especialmente porque a propaganda política e as atividades de campanha passaram a ser oficialmente permitidas a partir de 16 de agosto", afirmaram analistas do Citi a clientes nesta segunda-feira.
Em relatório sobre sua carteira MVP (uma alusão ao Most Valuable Player, Jogador Mais Valioso), os analistas afirmaram que mantêm uma alocação tática mais elevada em exportadoras e em empresas não estatais, citando uma relação risco versus retorno mais favorável nesses ativos. Também acrescentaram ter uma visão taticamente positiva para o setor de petróleo, uma vez que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz continua bem abaixo dos níveis observados antes do conflito.
"Do ponto de vista estrutural, seguimos avaliando que o Ibovespa está barato, negociando a 8,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L forward), o segundo menor múltiplo entre os dez principais índices que acompanhamos."
DESTAQUES
• BANCO DO BRASIL ON caiu 2,34%, acompanhado de ITAÚ UNIBANCO PN, com queda de 1,59%, BRADESCO PN, com declínio de 1,93%, SANTANDER BRASIL UNIT, com baixa de 1,1%, e BTG PACTUAL UNIT, que recuou 1,96%. Na visão do analista do Santander para o setor, Henrique Navarro, o Brasil pode estar enfrentando uma crise de crédito estrutural, e não apenas cíclica, conforme relatório a clientes. O Citi, por sua vez, colocou os papéis do Banco do Brasil sob observação para possíveis catalisadores negativos, avaliando que a relação risco versus retorno se tornou menos atrativa. No caso das units do Santander Brasil, as negociações também tiveram como pano de fundo o preço implícito mais elevado na oferta de troca do espanhol Santander para aquisição das ações em circulação da operação brasileira. Os potenciais reflexos do pedido de RJ da Casas Bahia também adicionaram pressão no setor.
• PETROBRAS PN fechou em alta de 0,9%, alinhada ao movimento dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent avançou 2,65%, para US$90,87. No final da sexta-feira, a presidente-executiva da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a petrolífera de controle estatal realizou uma descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, em um passo importante na direção de reposição de reservas para a próxima década.
• VALE ON fechou em alta de 0,15%, acompanhando o movimento mais positivo no setor no exterior, revertendo a fraqueza do começo da sessão, marcada pelo declínio dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian fechou em queda de 0,7%, a 706,5 iuans (US$104,84) por tonelada.
• COSAN ON recuou 2,72%, revertendo a alta da abertura, quando chegou a subir 3%. O conglomerado reportou no final da sexta-feira um prejuízo líquido de R$320 milhões no segundo trimestre de 2026, 66% menor do que o prejuízo de R$946 milhões um ano antes, bem como anunciou José Cezário Menezes de Barros Sobrinho como diretor financeiro. Nesta segunda-feira, o presidente-executivo da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que o grupo não tem planos de venda neste momento de participação em sua controlada Moove, produtora e distribuidora de óleos lubrificantes, disse o CEO da companhia.
• VIBRA ON subiu 0,15%, após a divulgação do balanço da dona da rede de postos de combustíveis BR na última sexta-feira, com lucro líquido ajustado de R$2,3 bilhões no segundo trimestre, o que representa um ganho de 365% em relação ao mesmo período de 2025. O presidente-executivo da companhia, Ernesto Pousada, afirmou nesta segunda-feira que a Vibra vê alternativas de crescimento de volume e margem com estratégias para crescimento da rede embandeirada, do segmento de negócios corporativos (B2B), além da captura de resultados com o combate a irregularidades no setor de combustíveis.
• MAGAZINE LUIZA ON disparou 8,18%, tendo no radar o noticiário envolvendo a concorrente Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no mesmo fim de semana em que divulgou um prejuízo de R$10 bilhões no segundo trimestre, citando impacto de fechamento de 298 lojas. A medida judicial impacta pagamentos de aproximadamente R$17,3 bilhões a bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas. CASAS BAHIA ON, que não está no Ibovespa, desabou 33,33%, a R$0,44. Em teleconferência com analistas nesta segunda-feira, o presidente-executivo da varejista, Renato Franklin, disse que a Casas Bahia está trabalhando com um cenário para 2027 mais difícil do que este ano. MERCADO LIVRE, que é listada nos EUA e tem uma parceria com a Casas Bahia, fechou em queda de 3,09%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)