Ibovespa fecha em queda com apreensão sobre guerra no Oriente Médio

12 mar 2026 - 17h31

O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, com o Ibovespa ‌fechando abaixo de 180 mil pontos, pressionado principalmente pelas preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, depois que o preço do barril de petróleo superou US$100.

Uma bateria de balanços corporativos e teleconferências com empresas também ocupou as atenções dos investidores no mercado brasileiro, assim como o IPCA de fevereiro acima das previsões, além do anúncio pelo governo de medidas para amenizar o efeito da disparada do petróleo nos preços do diesel no país.

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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,55%, a 179.284,49 pontos, anulando as altas dos últimos três ⁠pregões, após marcar 178.494,99 na mínima e 183.991,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$35,46 bilhões.

O barril do petróleo sob o contrato ‌Brent fechou negociado a US$100,46, em alta de 9,22%, após o Irã intensificar ataques a navios no Golfo Pérsico, enquanto o líder supremo do país disse que o fechamento do Estreito de Ormuz deve continuar.

Após a repercussão positiva à sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ‌começo da semana, de que a guerra poderia acabar em breve, a apreensão sobre ‌a duração do conflito e seu efeito no preço do petróleo voltou a prevalecer.

Em Nova York, o S&P 500, uma das ⁠referências do mercado acionário norte-americano, fechou em queda de 1,52%.

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No Brasil, para amortecer o impacto da alta do petróleo, o governo zerou a cobrança de Pis/Cofins sobre importação e comercialização do diesel e anunciou subvenção ao diesel a produtores e importadores, condicionada a repasse ao consumidor. Também está prevista uma cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo.

Poucas horas antes, o IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acima das previsões em pesquisa da Reuters (+0,65%). O dado marcou a taxa mais alta desde fevereiro de 2025. Em 12 meses, o IPCA ‌subiu 3,81%, contra previsão de 3,77%.

Os números ainda não refletem o movimento mais recente das cotações do petróleo, uma vez que os primeiros ataques dos ‌EUA e Israel contra Irã ocorreram em ⁠28 de fevereiro, o que reforça ⁠a atenção para a decisão do Banco Central na próxima semana.

No comunicado da sua última reunião de política monetária, no final de janeiro, a autarquia havia ⁠indicado o início em março de um ciclo de corte na taxa básica de ‌juros Selic, atualmente em 15% ao ano.

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DESTAQUES

- ‌PETROBRAS PN fechou em alta de 0,45%, apoiada pela nova disparada do petróleo, com analistas também calculando potenciais efeitos na petrolíferas das medidas anunciadas pelo governo. BRAVA ON, que também divulgou balanço na véspera, recuou 6,72%.

- EMBRAER ON desabou 11,01%, contaminada pelo cenário externo desfavorável para companhias aéreas em meio ao salto dos preços do petróleo. Em março, os papéis da fabricante de aviões ⁠acumulam uma queda de mais de 19%.

- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 2,73%, em dia de correção negativa expressiva no setor. BRADESCO PN caiu 2,76%, BANCO DO BRASIL ON recuou 4,38%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 4,44% e BTG PACTUAL UNIT fechou negociada em baixa de 3,64%.

- VALE ON caiu 0,76%, apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) avançou 1,34%, a 795,5 iuans (US$115,68) a tonelada. CSN MINERAÇÃO ON perdeu ‌3,85%, com balanço também no radar.

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- CSN ON despencou 14,45%, em meio a preocupações com o endividamento da companhia, após o resultado do quarto trimestre mostrar prejuízo de R$721,2 milhões. Executivos da companhia afirmaram que a CSN deve assinar em breve financiamento que terá a ⁠operação de cimentos do grupo como garantia.

- YDUQS ON afundou 14,83%, após resultado trimestral, que trouxe também prévia de captação do primeiro semestre de 2026, mostrando que a companhia registrou uma redução de 7% nas matrículas em relação ao mesmo período 2025, após cerca de 80% do ciclo já concluído.

- COGNA ON caiu 6,92%, com os holofotes também voltados para o balanço do quarto trimestre, notadamente o fraco desempenho da receita líquida (+1,9% ano a ano), afetado pelo adiamento do cronograma do Programa Nacional do Livro Didático, além de queda em margem Ebitda.

- VIBRA ON recuou 7,48%, mesmo após reportar Ebitda ajustado de R$2,6 bilhões no quarto trimestre, 101% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

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- AZZAS 2154 ON sucumbiu à aversão a risco e cedeu 1,58%, um dia após mostrar Ebitda recorrente de R$501 milhões no último trimestre de 2025, em período com geração de caixa operacional R$838,1 milhões. O presidente da companhia afirmou que as vendas mesmas lojas em março têm sido as melhores dos últimos 12 meses.

- SLC AGRÍCOLA ON avançou 4,34%, entre as poucas altas da sessão, com o balanço do final do ano também no radar, enquanto o presidente da empresa destacou que a área plantada com soja no Brasil em 2026/27, com plantio a partir de setembro, não deve cair apesar de margens menores de produtores.

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