Dólar sobe para perto dos R$5,25 com escalada da guerra no Oriente Médio

12 mar 2026 - 17h31
(atualizado às 17h57)

A escalada da guerra no Oriente ‌Médio nesta quinta-feira, com o Irã intensificando o discurso e os ataques contra alvos dos EUA e de Israel, disparou a busca pela proteção do dólar em todo o mundo, fazendo a moeda norte-americana registrar alta firme no Brasil.

O dólar à vista fechou com elevação de 1,69%, aos R$5,2464, em sintonia com o avanço forte da moeda norte-americana ⁠ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o ‌peso mexicano.

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No ano, a divisa acumula agora queda de 4,42% ante o real.

Às 17h42, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,75% na ‌B3, aos R$5,2710.

Nesta quinta-feira, o novo líder supremo do ‌Irã, Mojtaba Khamenei, disse que o país manterá o Estreito de Ormuz -- por ⁠onde passam 20% do petróleo mundial -- fechado e atacará as bases norte-americanas.

Além disso, dois petroleiros foram incendiados em águas do Iraque por barcos iranianos, horas depois de outros três navios terem sido atacados na região.

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A escalada da guerra que colocou EUA e Israel contra o Irã fez o petróleo tipo Brent superar os US$100 o barril em diferentes ‌momentos desta quinta-feira, mantendo as preocupações de que a alta da commodity possa espalhar inflação pelos ‌países.

Além disso, o conflito impulsionou ⁠a busca pela ⁠segurança do dólar, em detrimento de quase todas as demais divisas globais, incluindo o real.

Após marcar a ⁠cotação mínima de R$5,1574 (-0,03%) às 10h07, o dólar ‌à vista atingiu a máxima ‌de R$5,2499 (+1,76%) às 16h52, já na reta final da sessão.

Desde o início da guerra, em 27 de fevereiro, o dólar tem enfrentado forte volatilidade em todo o mundo, tendo chegado a superar os R$5,30 durante a sessão de 6 de março ⁠no Brasil, para depois retornar a níveis mais baixos.

No acumulado desde o início da guerra, o dólar subiu apenas 2,09% no Brasil -- movimento que parece menos intenso que o visto no mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), onde algumas taxas curtas dispararam mais de 80 pontos-base nas últimas semanas.

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"Por um lado, você ‌tem as moedas ligadas a commodities com uma performance melhor, não só no Brasil, de certo modo um pouco longe deste conflito. Não temos um 'risk off' (fuga do risco) clássico, ⁠de grande queda na bolsa e taxas dos Treasuries fechando -- pelo contrário, elas estão abrindo", avaliou o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia.

"O mercado tem tentado diferenciar os impactos, e o Brasil, como exportador de commodities, é beneficiado", acrescentou.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acelerando ante o avanço de 0,33% de janeiro e superando a projeção de 0,65% de economistas em pesquisa da Reuters. Em 12 meses até fevereiro, o índice subiu 3,81%, contra 3,77% projetados.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de abril.

No exterior, às 17h39 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,30%, a 99,739.

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