O Ibovespa disparou 7,7% e fechou no recorde histórico de 206.911 pontos após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno presidencial contra Lula. A reação eufórica do mercado decorre da expectativa de maior disciplina fiscal e políticas pró-mercado, o que levou o JPMorgan a elevar a recomendação para ações brasileiras. O otimismo impulsionou estatais, bancos, varejistas e construtoras, movimentando R$ 102,7 bilhões, enquanto analistas já projetam maior volatilidade até a definição do segundo turno.
O Ibovespa disparou nesta segunda-feira e atingiu novos recordes históricos, embalado pela euforia dos mercados domésticos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 7,7%, a 206.911,89 pontos, recorde histórico de fechamento, após marcar 192.137,63 na mínima e 209.605,70 na máxima, maior nível intradiário já registrado pela bolsa.
O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somou R$102,7 bilhões.
Flávio Bolsonaro liderou o resultado do primeiro turno, obtendo 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o senador.
Os números contrariaram as últimas pesquisas eleitorais divulgadas antes do pleito, que mostravam Lula com uma pequena liderança no primeiro turno e Flávio em segundo lugar.
A notícia foi bem recebida pelos mercados, que enxergam maior probabilidade de ajustes nas contas públicas em um governo de Flávio.
"Nossa interpretação é que Flávio tem mais chances de favorecer políticas favoráveis às empresas e uma estabilização macroeconômica mais rápida do que Lula", escreveu Felipe Camargo, economista-chefe global da Oxford Economics.
Nesse contexto, ao longo do pregão, papéis ligados a setores que são favorecidos por juros mais baixos, como varejo e construtoras, tiveram destaque.
"Acreditamos que o resultado de ontem tenha aumentado significativamente a probabilidade de uma virada nas expectativas e nos resultados fiscais, o que provavelmente proporcionará um amplo suporte aos mercados locais", escreveram os analistas do UBS, em nota.
O JPMorgan elevou a recomendação das ações brasileiras para "overweight", revertendo um rebaixamento de agosto, e afirmou que vê um perfil de risco-retorno mais favorável para o mercado após o recente resultado do primeiro turno da eleição presidencial do país.
"Esse potencial de alta é melhor do que o que qualquer outro mercado da América Latina pode oferecer", escreveram os estrategistas do JPMorgan em uma nota.
Segundo o analista de investimentos da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, para os mercados, além do resultado presidencial, será importante acompanhar a formação das alianças e a capacidade de articulação do próximo governo.
"O segundo turno, portanto, tende a ser marcado por elevada volatilidade, com investidores ajustando posições conforme novos dados eleitorais, propostas econômicas e eventuais alianças sejam divulgados", disse Mollo.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN disparou 8,19% e PETROBRAS ON avançou 6,68%, na esteira da euforia dos papéis de estatais após os resultados do primeiro turno das eleições, se descolando da tendência externa, com o petróleo Brent fechando em queda de 1,89%.
• BTG PACTUAL saltou 22,52%, sendo uma das maiores altas do Ibovespa, e ITAÚ UNIBANCO PN teve alta de 10,37%, com o setor também pegando carona na euforia pós-eleição. BRADESCO PN subiu 13,57%, BANCO DO BRASIL ON avançou 11% e SANTANDER BRASIL UNIT teve alta de 2,63%.
• MAGAZINE LUIZA ON disparou 24,18%, tendo liderado os ganhos do Ibovespa, e ASSAÍ ON subiu 12,98%, com a perspectiva de juros menores favorecendo os papéis do setor. C&A MODAS ON subiu 19,71%, figurando entre as principais altas do índice.
• CYRELA ON e MRV ON dispararam 18,4% e 11,37%, respectivamente, beneficiadas pelo recuo nas taxas dos DIs.
• SUZANO ON caiu 5,39%, liderando as perdas do Ibovespa, em meio ao forte recuo do dólar ante o real. A valorização da divisa brasileira também prejudicava EMBRAER ON, que perdeu 3,31%, sendo o segundo pior desempenho do índice.
• VALE ON recuou 0,97%. No setor, USIMINAS PNA recuou 0,27%, enquanto GERDAU PN registrou declínio de 1,19%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)