Para atrair o eleitorado de centro no segundo turno da disputa contra Flávio Bolsonaro, parte da campanha de Lula defende a nomeação de Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato. A proposta, contudo, divide aliados: a ala econômica avalia que a medida agrega pouco politicamente, já que a presença do vice já está assimilada pelo mercado e sua atuação recente no interior paulista não se converteu no aumento esperado de votos para o petista.
BRASÍLIA - Parte da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a defender o nome do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), como ministro da Fazenda de um eventual quarto mandato do petista. A informação foi adiantada pela Reuters e confirmada pelo Estadão/Broadcast.
Segundo um integrante do governo, uma ala tem defendido a indicação como forma de atrair o centro, após Lula ter obtido 45,16% dos votos válidos no primeiro turno, ante 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL). No entanto, a estratégia de Alckmin no comando da pasta não é unânime.
Essa ideia ainda nem teria sido apresentada à ala econômica da campanha, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem. Neste grupo, há uma avaliação de que a indicação de Alckmin não faz muito sentido, pois existe o entendimento de que o problema não está na economia e que agregaria pouco a Lula nesse estágio da campanha, em que a presença do ex-tucano já está precificada num eventual próximo governo.
Durante boa parte deste mandato - até o prazo de desincompatibilização para as eleições de 2026 - Alckmin acumulou a vice-presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), tendo destaque principalmente com as negociações com os Estados Unidos em torno do primeiro tarifaço.
Não é a primeira vez em que Alckmin é usado como peça para atrair eleitores de centro. Lula pediu para ele atuar politicamente no interior de São Paulo. A presença dele nas agendas, porém, não se converteu em votos. No primeiro turno de 2022, o petista teve 10,5 milhões de votos. Neste domingo, ele obteve 9,5 milhões, ou seja, um milhão a menos.
Neste domingo, 4, em pronunciamento após o anúncio de que haverá segundo turno para a disputa presidencial, Alckmin frisou que buscará diálogo inclusive com eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
"Segundo turno é uma nova eleição. E vamos conversar com todas as pessoas, com aqueles que votaram em todos os outros candidatos, até no adversário, para reverter esses votos", afirmou, durante pronunciamento em São Paulo. A fala de Alckmin foi vista como uma das mais animadoras da noite em que predominava um clima de derrotismo entre aliados de Lula.