O Ibovespa fechou com um avanço modesto nesta quarta-feira, assegurado pelo desempenho robusto das ações da Petrobras, em meio ao avanço do preço petróleo no exterior, enquanto o noticiário corporativo destacou acordo da Raízen buscando reestruturar dívidas de R$65 bilhões.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,28%, a 183.969,35 pontos, após marcar 182.021,14 na mínima e 185.714,27 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,47 bilhões.
O petróleo voltou a subir, com novos ataques a navios no Estreito de Ormuz agravando temores de interrupção na oferta, enquanto analistas avaliam que a proposta da Agência Internacional de Energia para uma liberação recorde de reservas de petróleo é insuficiente para aliviar tais preocupações.
O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 4,8%, a US$91,98.
Nos Estados Unidos, dados sobre os preços ao consumidor em fevereiro dentro das expectativas não conseguiram animar, uma vez que ainda não refletem a disparada recente nas cotações do petróleo desencadeada pelos ataques dos EUA e Israel contra o Irã, que começaram apenas em 28 de fevereiro.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,08%.
"O principal fator que influencia tanto o mercado brasileiro quanto o exterior, sem dúvida, são as tensões envolvendo a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e todos os desdobramentos desse conflito", avaliou o estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN avançou 4,36%, endossada pela alta do petróleo no exterior, tendo ainda no radar a venda de diesel pela companhia em um leilão no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, com preços que tiveram alta de até R$1,78 por litro em relação ao valor de venda da estatal naquele Estado. No setor, PRIO ON, que também divulgou balanço na véspera, valorizou-se 0,76% e BRAVA ENERGIA ON subiu 0,67%, enquanto PETRORECONCAVO ON fechou estável.
- RAÍZEN PN caiu 5,77%, para R$0,49, em dia volátil, após desabar mais de 17% na abertura e subir 7,7% na máxima da sessão. A companhia, controlada pelo grupo Cosan e pela Shell, protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas financeiras de R$65,1 bilhões. COSAN ON encerrou com declínio de 2,29%.
- CURY ON avançou 4,13%, tendo no radar o resultado do último trimestre do ano passado, com lucro líquido de R$270 milhões, alta de 62,9% ano a ano. De acordo com executivos da construtora, a companhia está observando um momento de vendas positivo nos primeiros meses de 2026, com um mercado "ainda bem aquecido" mesmo antes das mudanças esperadas no programa Minha Casa Minha Vida.
- SMARTFIT ON subiu 2,24%, após divulgar balanço do quarto trimestre com lucro líquido recorrente de R$235 milhões, crescimento de 19% sobre o mesmo período do ano anterior. A companhia também divulgou previsão de abertura de 330 a 350 academias em 2026.
- GPA ON fechou com elevação de 1,89%, com agentes financeiros ainda analisando acordo do varejista com seus principais credores para um plano de recuperação extrajudicial abrangendo dívidas de aproximadamente R$4,5 bilhões. Na véspera, a ação chegou a desabar quase 9% antes de fechar em queda de 2,93%.
- ALLOS ON perdeu 2,14%, mesmo com o balanço mostrando alta de 62% no lucro do quarto trimestre, para R$252 milhões. A maior operadora de shopping centers do país também espera margens melhores ao longo de 2026, afirmaram executivos. De acordo com o site Brazil Journal, o grupo Alexander Otto, segundo maior acionista da Allos, vendeu metade de sua posição num block trade nesta quarta-feira.
- BANCO DO BRASIL ON subiu 0,8%, em pregão misto para bancos do Ibovespa, com BTG PACTUAL UNIT avançando 0,52% e ITAÚ UNIBANCO PN valorizando-se 0,21%, enquanto BRADESCO PN cedeu 0,45% e SANTANDER BRASIL UNIT caiu 0,78%.
- VALE ON fechou em baixa de 0,88%, mesmo com a alta dos futuros do minério de ferro na China.
- TELEFÔNICA BRASIL ON recuou 1,88%, distante do pior momento da sessão, quando caiu quase 7% nos primeiros negócios, tendo como pano de fundo relatório de analistas do UBS BB, que cortaram a recomendação dos papéis de compra para venda, bem como reduziram o preço-alvo para R$36 ante R$37,50.