RIO E SÃO PAULO - O volume de serviços prestados no País ficou praticamente estável na passagem de janeiro para fevereiro, mas a ligeira alta de 0,1% foi suficiente para que o setor voltasse ao pico histórico alcançado em novembro de 2025. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado de fevereiro ficou aquém das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta mediana de 0,5%.
Houve uma "frustração do crescimento" em fevereiro, mas o comportamento era esperado e está alinhado à perda de fôlego consistente demonstrada por este segmento da economia desde meados de 2025, segundo o economista Leonardo Costa, do ASA.
"A moderação da atividade doméstica em 2026 está em linha com o nosso cenário, que antecipa um crescimento mais modesto em 2026", acrescentou Costa, que projeta um avanço de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano.
O desempenho de fevereiro não altera o cenário para o setor no País. Os serviços permanecem impulsionados por segmentos que ganharam ritmo no pós-pandemia, como tecnologia da informação e transporte de carga, avaliou Luiz Carlos Almeida Júnior, analista da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em janeiro de 2011 pelo IBGE.
"A trajetória de mais longo prazo dos serviços não se altera, (os destaques) são serviços que no pós-pandemia estão dando um pouco mais de ritmo para o setor de serviços como um todo", disse Almeida.
A comparação entre atividades
Três das cinco atividades de serviços registraram avanços em fevereiro: serviços de informação e comunicação (1,1%), transportes (0,6%) e serviços prestados às famílias (1,4%). Houve quedas nos serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%) e nos outros serviços (-0,4%).
Enquanto o setor de tecnologia da informação vem com bom desempenho especialmente desde a pandemia, e o transporte de cargas mostra dinamismo puxado pela safra recorde e pelo comércio online. O segmento de transportes só não teve expansão ainda maior por conta do aumento das tarifas aéreas, que levaram o subsetor de transporte aéreo para o território negativo em fevereiro. Quanto aos serviços prestados às famílias, houve ajuda da celebração do carnaval.
"Lembrando que é sempre mais difícil você conseguir manter o crescimento acelerado quando você tem uma base de comparação já muito forte", apontou o pesquisador do IBGE. "Setores mais dinâmicos costumam andar dessa forma, um mês crescem mais, no outro mês têm uma devolução. Mas, mais no longo prazo, eles mostram mais dinamismo."
Para Antonio Ricciardi, economista do banco Daycoval, a alta nos serviços prestados às famílias em fevereiro foi um indicador relevante de que a atividade econômica deve continuar resiliente no primeiro trimestre, mesmo diante da taxa básica de juros, a Selic, em patamar restritivo.
"Esse resultado é relevante, uma vez que é possível inferir que são os efeitos positivos da valorização real do salário mínimo e da isenção do IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) já surtindo efeito sobre a atividade econômica", disse Ricciardi, acrescentando que estes mesmos efeitos devem aparecer também nos dados sobre as vendas do varejo em fevereiro e podem ficar mais evidentes a partir de março.
Na comparação com fevereiro de 2025, o volume de serviços prestados no País cresceu 0,5% em fevereiro de 2026, o 23º resultado positivo consecutivo. O índice de difusão — que mostra o porcentual de serviços com crescimento em relação ao mesmo mês do ano anterior — passou de 48,2% em janeiro para 44,6% em fevereiro.