A Binance sofreu o maior ataque hacker da história do setor cripto, com o desvio de US$ 6,3 bilhões em apenas 20 minutos. A ação, atribuída preliminarmente a hackers ligados à Coreia do Norte, levou à suspensão temporária dos saques. Uma força-tarefa já bloqueou cerca de US$ 3 bilhões em stablecoins, embora US$ 2,4 bilhões em redes descentralizadas continuem sob risco. A corretora garantiu que cobrirá todos os prejuízos dos clientes e prevê normalizar os serviços em até 45 horas.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi vítima da maior ação criminosa já registrada na história do setor financeiro digital. O ataque resultou no desvio de US$ 6,3 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 34 bilhões na cotação atual.
A operação hacker ocorreu nesta quinta-feira (29) e durou cerca de 20 minutos, comprometendo os sistemas da plataforma fundada em 2017 em Xangai, na China.
A empresa, que conta com 335 milhões de usuários e administrava cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos digitais ao fim de 2025, suspendeu temporariamente as operações de saque, garantindo que ressarcirá os clientes afetados e prevendo a normalização dos serviços no prazo de 45 horas.
Como foi o ataque à maior corretora de criptomoedas do mundo
As investigações iniciais indicam que os cibercriminosos comprometeram o sistema responsável por autorizar a movimentação de criptomoedas por volta das 17h no horário de Brasília.
A suspeita preliminar recai sobre a invasão do computador de um engenheiro da equipe técnica, embora a própria corretora tenha admitido a existência de falhas adicionais na infraestrutura de segurança. Análises de empresas especializadas em rastreamento de ativos virtuais, como a TRM Labs e a Chainalysis, apontam que o grupo responsável possui vínculos operacionais com a Coreia do Norte, apresentando padrões de ataque idênticos aos aplicados na invasão da Bybit em 2025, caso investigado pelo FBI. Contudo, a direção da plataforma afirmou que os autores do delito ainda não foram formalmente identificados pela auditoria interna.
Esforços de bloqueio e a recuperação de ativos
Até o momento, analistas conseguiram rastrear a localização de US$ 3 bilhões em ativos furtados, desencadeando uma força-tarefa entre empresas emissoras de criptomoedas para congelar os valores. A Tether reteve quase US$ 1,57 bilhão em stablecoins, enquanto a Circle travou mais de US$ 800 milhões e a Ripple bloqueou cerca de US$ 200 milhões.
A World Liberty Financial, instituição ligada ao presidente Donald Trump, também participou das ações de contenção do capital roubado. Apesar das medidas de restrição adotadas pelas emissoras, o bloqueio das moedas não garante o retorno imediato do montante ao caixa da corretora, visto que cerca de US$ 2,4 bilhões em Bitcoin e Ether pertencem a redes descentralizadas que não possuem autoridade central para a interrupção das transações.
O episódio gerou instabilidade e provocou a desvalorização das principais moedas digitais nesta sexta-feira (30), levantando alertas globais sobre a custódia de fundos em corretoras centralizadas. Os analistas ponderam que a recuperação total dos valores dependerá de tentativas de movimentação dos criminosos para plataformas que cooperem com as autoridades policiais internacionais. A empresa reforçou que manterá a transparência ao longo do processo de apuração e reiterou o compromisso de assegurar que nenhum investidor cadastrado sofra perdas financeiras permanentes decorrentes da invasão.