O principal impacto da guerra no Oriente Médio é o aumento do preço do petróleo e do gás devido ao bloqueio, pelos iranianos, do Estreito de Ormuz. Uma alta prolongada dos preços afetaria especialmente a Europa e os Estados Unidos.
Economistas ouvidos pelo Les Echos avaliam que, se o conflito durar poucas semanas, os efeitos serão moderados, mas um prolongamento poderia empurrar o mundo para a recessão, especialmente se o petróleo se aproximar de US$ 100 por barril. Atualmente, pressionado pelo conflito, o barril já está sendo cotado em torno de US$ 84.
Por enquanto, os bancos centrais não devem alterar significativamente suas políticas monetárias, mas um choque energético maior poderia levar a novos aumentos de juros. No front fiscal, a situação é mais delicada. A inflação mais alta tende a pressionar os juros de longo prazo, o que piora as contas públicas, sobretudo nos Estados Unidos, onde o déficit já é elevado.
Segundo analistas citados pelo jornal, isso poderia enfraquecer o dólar, elevar ainda mais os juros e provocar turbulências nos mercados globais.
Brasil pode ser afetado
Petróleo e gás não são os únicos produtos impactados. Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 11% do comércio marítimo mundial. O bloqueio também paralisa o fluxo global de mercadorias como cosméticos, alimentos, produtos farmacêuticos, automóveis e até pedras ornamentais.
O setor de fertilizantes é um dos mais vulneráveis, já que aproximadamente um terço destes produtos no mundo, incluindo enxofre, ureia e amônia, passa por Ormuz. O Brasil, que importa fertilizantes de Omã e Catar, pode ser afetado.
O Le Figaro informa que a forte alta dos preços do petróleo provocou queda nas bolsas europeias e americanas, o que levou Donald Trump a prometer medidas rápidas para evitar que os consumidores americanos paguem mais caro pela gasolina. O republicano classificou o aumento atual como um pequeno desvio.
Aumento da gasolina na França gera debate
O Libération escreve que o impacto do aumento dos preços já é sentido pela população na França. Nos postos de gasolina do país, os preços dispararam ao longo da semana, com o diesel ultrapassando a gasolina e se aproximando de € 2 por litro.
A situação tem gerado debates e desgaste político. O governo francês, pressionado por opositores, afirmou estar monitorando os distribuidores para garantir que não haja abusos nos preços praticados.
O ministro da Economia francês, Roland Lescure, afirmou ao Le Parisien que, apesar do aumento dos preços, não existe risco de falta de combustível na França no curto prazo.