O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira, 18, o patamar da taxa básica de juros, a Selic, e a previsão da maioria do mercado financeiro é que ela seja reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
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Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, que está em 15%, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo.
“Em meio à incerteza mais elevada e a um balanço de riscos menos favorável, associado à alta relevante nos preços do petróleo, passamos a esperar o início do ciclo de flexibilização com um modesto corte de 25 p.b. (frente a um ajuste de 50 p.b. no cenário anterior)”, prevê o economista-chefe do Banco Itaú, Mario Mesquita.
Mesmo que o Copom opte por um corte técnico de 0,25%, a tendência para a maioria dos analistas é de uma comunicação mais conservadora por parte do BC, reforçando que o ciclo será lento, dependente de dados e sujeito a interrupções, caso o cenário inflacionário piore.
“O Copom ainda não tem segurança suficiente para iniciar cortes de juros de forma consistente. O cenário inflacionário e as incertezas externas pedem prudência, o que pode adiar esse movimento. A sinalização deve continuar focada em disciplina e previsibilidade", reforça o economista Fábio Murad.
Na última reunião do Copom, em janeiro, os membros mantiveram inalterada a taxa de juros em 15,00% a.a, mas sinalizaram que nesta reunião de março iniciaria a flexibilização da política monetária. Na ata, porém, o BC reforçou que, caso necessário, manteria a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta .
“O Comitê deve reforçar [após a reunião desta quarta] que o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação. Com isso, o comitê deve deixar em aberto a magnitude dos próximos ajustes”, enfatizam analistas do Banco Daycoval.
No boletim Focus desta semana, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, foi elevada, com a previsão de redução passando de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Como a taxa Selic afeta sua vida?
A taxa Selic definida pelo Banco Central afeta a maioria das taxas de juros da economia, já que todos os bancos precisam negociar títulos diariamente para manter seus negócios, incluindo a concessão de empréstimos para seus clientes, que, geralmente, têm sempre juros acima da taxa básica.
Juros mais baixos reduzem o preço das parcelas mensais das compras a prazo e, portanto, incentivam o consumo das famílias. Também incentivam os investimentos das empresas, pois o custo mensal de um empréstimo para ampliar os negócios diminui.
A lógica é simples. Ao o investir para expandir, eventualmente, as empresas contratam mais trabalhadores. Mais gente trabalhando reforça a renda das famílias, aumentando sua capacidade de consumir.
Juros mais elevados, por outro lado, atuam na forma inversa, ou seja, aumentam o preço das compras a prazo, desestimulam os investimentos das empresas e geram menos empregos, ou até levam ao fechamento de vagas, esfriando a demanda.
Quando a oferta é maior do que a demanda, os preços tendem a cair ou a subir menos. Quando a oferta é menor do que a demanda, os preços tendem a subir mais. Por isso, o aquecimento da demanda tende a gerar mais inflação, enquanto seu esfriamento tende a moderar a subida de preços.