Governo Lula anuncia novo programa de crédito de R$ 21,2 bi para aquisição de ônibus e caminhões

'Move Brasil 2' terá R$ 14,5 bi de recursos do Tesouro Nacional e aporte adicional de R$ 6,7 bi do BNDES

30 abr 2026 - 17h37
(atualizado às 18h10)

BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, disse que o Move Brasil 2, novo programa de crédito para aquisição de ônibus e caminhões, terá R$ 14,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e mais R$ 6,7 bilhões de aporte adicional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao todo serão R$ 21,2 bilhões destinados ao programa, sendo R$ 2 bilhões exclusivamente para caminhoneiros autônomos, "que terão condições diferenciadas de prazo e carência", segundo o ministro, e R$ 2 bilhões para linhas de ônibus.

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O ministro disse que o crédito oferecido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que tentará a reeleição em outubro - tem o objetivo de garantir empregos no Brasil e impulsionar a indústria local. Afirmou que "a contrapartida que se espera (do setor produtivo) é justamente a geração de emprego".

"O Move Brasil 2 é crédito com resultado produtivo, reduz custo para quem transporta, fortalece quem fabrica, moderniza nossa infraestrutura e contribui para um transporte mais seguro e sustentável. E sabemos que contaremos com o compromisso do setor produtivo de garantir empregos mantidas as condições atuais, porque é o que se espera do setor produtivo. A contrapartida que se espera é justamente a geração de emprego, distribuição de bons salários", afirmou.

O anúncio foi em evento no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 30. Márcio Elias Rosa afirmou que o "Brasil é um País que se move sobre rodas, mais de 60% da carga nacional trafega por rodovias" e que a "frota velha custa caro, para o trabalhador, para o meio ambiente, para a economia".

"Lula quer romper esse ciclo e encomendou que fizéssemos a nova versão do Move, o Move Brasil 2, que amplia essa linha de crédito. Damos um passo ainda mais largo", declarou o ministro.

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O evento acontece no Palácio do Planalto. A imprensa não tem acesso ao local, mas está sendo transmitido ao vivo pelo governo. Estão presentes os ministros da Fazenda, Dario Durigan, da Casa Civil, Miriam Belchior, do Planejamento, Bruno Moretti, do Mdic, Márcio Elias Rosa, e da Secretaria Geral, Guilherme Boulos.

É possível alavancar aporte do FGI em até oito vezes, diz Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 30, que é possível alavancar o aporte do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até oito vezes, o que representaria R$ 16 bilhões para empresários. Ainda segundo Durigan, os bancos avaliam positivamente o mecanismo, que é ligado ao BNDES.

"Todos elogiam muito o FGI e dizem que o pequeno industrial, o pequeno varejista e o pequeno lojista tomam créditos baratos na rede bancária do país inteiro via FGI. Por isso, a importância de manter o FGI abastecido. São R$ 2 bilhões de aporte no FGI, o que permite alavancar algo em 8 vezes, então são R$ 16 bilhões para os pequenos e médios empreendedores e industriais do país"

Durigan também disse que é preciso lembrar da política industrial do Brasil, junto aos números econômicos do governo. O ministro afirmou que é preciso que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote medidas necessárias para auxiliar o setor.

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"A gente tem controlado uma série de medidas e tem garantido a inflação sob controle. Mas é preciso que a política industrial não fique esquecida e que a gente vá adotando as medidas necessárias", disse Durigan.

O ministro da Fazenda também fez um balanço sobre o programa Move Brasil, que busca renovar frotas de caminhões com créditos com juros reduzidos. De acordo com Durigan, o governo está melhorando as condições dos beneficiários com a redução de juros em até 3 pontos percentuais.

"O Move 1, quando a gente olha para os autônomos, em especial, a gente está melhorando, e muito, as condições. Seja na questão da taxa de juros, que está indo a 11,3% a 12,4%, já melhorando muito dos 14,9% e dos 14,2% que tínhamos", disse.

'Resolvemos melhorar as condições', diz Lula sobre novo programa

No primeiro discurso após as recentes derrotas no Congresso Nacional, o presidente não tratou sobre a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e nem da derrubada do veto do projeto de dosimetria às penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, que beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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O presidente também avaliou o início do programa destinado aos autônomos, já que apenas um quinto do orçamento disponibilizado havia sido direcionado para os beneficiários. Por isso, ele conversou com a equipe econômica para encontrar formas de aprimorar a iniciativa.

"Me chamou a atenção porque nós tínhamos disponibilizado R$ 1 bilhão e só tinham sido liberados R$ 200 milhões até o dia que conversei com eles (equipe econômica). Isso significa que você disponibilizou o recurso, mas tinha alguma coisa que estava atrapalhando as pessoas a terem acesso ao dinheiro", declarou o presidente.

Lula fez um balanço das mudanças do Mover 1, com aumento do prazo de carência, anos para pagamento e a diminuição da taxa de juros.

"Resolvemos melhorar as condições: aumentar o prazo de carência, aumentar a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir um pouco a taxa de juros que ainda é alta", disse.

Em tom de brincadeira, Lula também disse que o novo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, é um "mágico" que faz "aparecer dinheiro" e que consegue encontrar possibilidades para investimentos do governo, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alerta sobre as possibilidades de ultrapassar as linhas do arcabouço fiscal.

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"Esse moço é mágico para aparecer dinheiro. Quando a Miriam está chorando que não tem dinheiro. Quando o companheiro Dario está dizendo 'olha o arcabouço fiscal, não posso, não tem mais dinheiro'. Chama o Bruno Moretti. Ele vai futucar no arquivo morto das possibilidades e vai conseguir encontrar alguma coisa para a gente fazer."

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