Fim da escala 6x1 custaria para o comércio R$ 122,4 bi anuais, estima CNC

Confederação diz também que o 'choque' na folha de pagamentos implicaria aumento de 13% nos preços ao consumidor final, que não seria compatível com a renda

23 fev 2026 - 19h29

BRASÍLIA - A Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou, nesta segunda-feira, 23, um levantamento em que diz que o custo total de adequação ao fim da escala 6x1 no comércio é estimado em R$ 122,4 bilhões anuais. O valor representaria aumento instantâneo de 21% na folha salarial do segmento. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões.

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O documento intitulado Parecer técnico-econômico: análise dos impactos do fim da jornada 6x1 no Brasil diz que, entre os trabalhadores formais do comércio varejista, 93% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, e entre os trabalhadores do atacado, 92% se encontram na mesma situação. Segundo a entidade, o "choque" pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.

CNC diz que as empresas não teria como absorver os custos da redução da jornada semanal de trabalho
CNC diz que as empresas não teria como absorver os custos da redução da jornada semanal de trabalho
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A CNC também diz que o "choque" na folha de pagamentos implicaria aumento de 13% nos preços ao consumidor final. Porém, a confederação diz que o comércio não conta com o repasse integral desse valor, porque a renda da população não seria compatível.

"Consequentemente, o setor se submeteria a um choque significativo na sua principal fonte de receitas, o faturamento decorrente da revenda de mercadorias, o que, em última instância, induziria o setor a reajustar o próprio quadro de funcionários para fazer adequar-se à essa redução de demanda", diz o texto.

A confederação também afirma que, para um ponto porcentual de aumento dos preços ao consumidor final, "incorre-se uma perda de 0,08 ponto porcentual no Excedente Operacional Bruto do setor (EOB)".

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A organização prossegue: "Desse modo, impacto agregado resultante aponta para uma redução de 5,7% (0,057 ponto porcentual) no Excedente Operacional Bruto do comércio de modo que, a valor presente, o EOB do comércio seria reduzido em R$ 73,31 bilhões — superando, por exemplo, em mais de R$ 2 bilhões tudo que o comércio varejista faturou com o Natal de 2024".

Outro apontamento é de que o turismo seria um dos setores mais vulneráveis, com custo potencial de adequação de 54%, "dada a impossibilidade de automatizar serviços essenciais como hospedagem, alimentação e atendimento presencial".

A proposta de fim da escala 6x1 passará a ser analisada nesta terça-feira, 24, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A expectativa é de que a CCJ anuncie como relator da matéria o deputado Paulo Azi (União-BA), mas oficialmente o presidente do colegiado, Leur Lomanto Jr. (União-BA), diz que outros nomes ainda são cotados.

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