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Fazenda aumenta projeção de inflação de 2026 para 5,1%, acima do teto da meta

Segundo a pasta, alta das expectativas, espaço para repasse dos preços do atacado ao consumidor e probabilidade de El Niño mais intenso elevaram projeções para o segundo semestre

15 jul 2026 - 14h59

BRASÍLIA - O Ministério da Fazenda aumentou a sua projeção para o IPCA de 2026, de 4,5% (no teto da meta) para 5,1%, estourando o limite superior da meta. Para 2027, a projeção subiu de 3,5% para 3,6%, maior do que o centro do alvo, de 3%.

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As informações constam do Boletim Macrofiscal, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira, 15.

"Aumento das expectativas de inflação, espaço para repasse dos preços do atacado ao consumidor e probabilidade de El Niño mais intenso elevaram as projeções para o IPCA no segundo semestre", justifica a SPE. "Em contrapartida, o câmbio apreciado, a política monetária contracionista, as medidas para conter o preço dos combustíveis e a desaceleração econômica no segundo semestre contribuem para atenuar a inflação", prossegue.

Fazenda manteve projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 2026 em 2,3%
Fazenda manteve projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 2026 em 2,3%
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

A pasta coloca que há um desafio global desencadeado pela crise do petróleo, com impacto generalizado sobre a inflação e o crescimento. "Apesar da acomodação nas cotações de petróleo e de algumas commodities, os efeitos de segunda ordem podem demorar a se dissipar, sobretudo em um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas", diz a secretaria.

Nos Estados Unidos, a menor dependência externa do petróleo amortece o choque, mas os combustíveis mais caros repercutem na inflação — trade-off que sustenta a cautela do Fed, prossegue a SPE. Na área do euro, a alta de petróleo e gás pressiona a inflação e a renda real. O Banco Central Europeu (BCE) segue atento a efeitos de segunda ordem. Já na China, a secretaria destacou que os estoques e o controle de preços seguram o repasse no curto prazo. "Mas um conflito longo eleva custos industriais e desorganiza cadeias, repercutindo sobre a inflação ao produtor", completa.

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No caso da inflação de alimentos, a secretaria coloca que, apesar da deflação de alimentos em junho, a inflação acumulada em 12 meses segue pressionada por in natura, leite, arroz e feijão, produtos que apresentaram altas acima do padrão histórico.

Já no que se refere à inflação de bens industriais e serviços, a pasta colocou que a aceleração reflete altas em higiene pessoal. "Serviços seguem pressionados, principalmente por passagem aérea, mas medidas subjacentes mostram desaceleração nos últimos meses", diz.

Para 2027, a expectativa de inflação também foi revisada para cima, passando de 3,5% para 3,6%. Para os anos seguintes, projeta-se inflação convergindo para a meta, em 3,0% em 2028, 2029 e 2030.

A projeção da Fazenda para o INPC de 2026 subiu de 4,6% para 5,3%. Para o IGP-DI, a previsão subiu de 4,9% para 5,6% em 2026.

Projeção da alta do PIB permanece inalterada

O Ministério da Fazenda manteve a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2026 em 2,3%. A estimativa para o ano que vem caiu de 2,6% para 2,5%.

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As projeções da SPE continuam acima das medianas do último relatório Focus, que indicavam crescimento de 1,99% para o PIB em 2026 e de 1,65% para 2027.

No segundo trimestre, a Fazenda projeta uma desaceleração do PIB, com crescimento de 0,8% ante o 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano.

"O forte resultado do primeiro trimestre foi amplificado pelo vetor agrícola, cuja safra recorde, puxada pela soja, já se encontra praticamente consolidada, de modo que o impulso deve se dissipar", diz a SPE, que projetou crescimento para o PIB do segundo trimestre de 0,8% na margem e de 2,4% interanual.

Segundo a pasta, a projeção de crescimento para 2026 foi sustentada pela recomposição setorial. A agropecuária foi revisada de 1,2% para 1,8%, compensando a leve revisão da indústria, de 2,2% para 2,1%, enquanto a projeção dos serviços permaneceu em 2,4%.

No segundo trimestre, projeta-se avanço de 0,8% na margem, ante 1,1% no primeiro, movimento puxado pelo menor ritmo da indústria, que desacelera de 1,2% para 0,8%, e da agropecuária, de 2,0% para 0,6%, enquanto os serviços aceleram levemente, de 0,5% para 0,7%.

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Para 2027, apesar da redução de 2,6% para 2,5%, a SPE afirma que, para o período de 2027 a 2030, a previsão de crescimento seguiu em 2,6%, em média, "ainda que sustentada por uma trajetória de Selic mais elevada ao longo de todo o horizonte do que a projetada na grade de maio".

Para esse período, eles analisam: "A Selic segue em trajetória de queda a partir de 2026, mas parte de um patamar mais elevado do que o previsto na grade de maio, o que torna mais lenta a transmissão da política monetária ao crédito e à demanda doméstica. Ainda assim, a redução do custo do financiamento ao longo do período tende a estimular a recuperação da indústria de transformação, da construção e dos serviços mais cíclicos, segmentos mais sensíveis ao ciclo de juros".

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