O Clube de Paris de nações credoras afirmou em seu relatório anual de 2025 que são necessárias reformas em uma iniciativa fundamental de reestruturação da dívida soberana para países de baixa renda, conhecida como Estrutura Comum, a fim de torná-la mais rápida e eficiente
O grupo divulgou o relatório, um compêndio de opiniões de autoridades, no início de uma reunião anual nesta quarta-feira em Paris que reúne credores, países tomadores de empréstimos e investidores para discutir questões relacionadas à dívida soberana.
A proporção de países enfrentando dificuldades com a dívida diminuiu desde que um aumento repentino nos casos de inadimplência após a pandemia da Covid-19 levou o G20 a lançar a plataforma Estrutura Comum para acelerar as reestruturações, segundo o relatório.
No entanto, as autoridades enfatizaram a necessidade de reformas para tornar o processo mais eficiente.
"A Estrutura Comum deve agir mais rapidamente e envolver de imediato todos os credores na realização de esforços comparáveis", escreveu o copresidente do Clube de Paris, Thomas Revial, no relatório.
As propostas variaram desde os pedidos da China para que se imponha rigorosamente a comparabilidade de tratamento — um princípio que exige que outros credores assumam perdas semelhantes às dos credores oficiais — até as do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e da Etiópia para permitir que todos os credores definam os termos dos acordos simultaneamente durante uma reestruturação.
Pela primeira vez desde 2017, mais países de baixa renda - 52% - apresentam risco baixo ou moderado de sobreendividamento do que os 48% que estão em alto risco ou já se encontram em situação de sobreendividamento, segundo o relatório.
Gana, Zâmbia e Chade concluíram em grande parte as reestruturações de dívida sob a Estrutura Comum.
Mas a Etiópia está envolvida em uma disputa entre investidores detentores de seus títulos inadimplentes no valor de US$ 1 bilhão e credores oficiais, que chegaram a um acordo em princípio sobre a dívida em março de 2025.
Os credores oficiais, incluindo a China e a França, rejeitaram o acordo inicial dos detentores de títulos por considerá-lo inadequado sob o princípio da "comparabilidade de tratamento". Os detentores de títulos reagiram, argumentando que a melhora nas perspectivas do país não justifica as perdas propostas. Eles ameaçaram entrar com uma ação judicial.