EMS ultrapassa concorrentes com oferta de R$ 3 bi pela Medley e mira 30% do mercado de genéricos

Marcas devem ser mantidas separadas, e investimentos em novas fábricas devem chegar a R$ 1 bi

6 mar 2026 - 18h16

A farmacêutica EMS deu um passo decisivo para se consolidar na dianteira do mercado de genéricos no Brasil, ao anunciar a compra da Medley, que antes pertencia ao grupo francês Sanofi. O negócio é avaliado em US$ 600 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,2 bilhões na cotação desta sexta-feira, 6.

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Com a oferta, a companhia deixou para trás nomes como Hypera, Aché, Biolab e a indiana Sun Pharma. O Estadão/Broadcast apurou que o negócio estava caminhando para a fase de propostas vinculantes, com previsão de ter o martelo batido no fim do mês, mas a EMS elevou sua oferta e sacramentou a aquisição.

A estimativa é de que a empresa passe a deter 31% do mercado de genéricos com a incorporação da até então concorrente, que tem uma fatia entre 7% e 8% do segmento e clientes cativos da marca.

Linha de produção da Medley: forte em genéricos
Linha de produção da Medley: forte em genéricos
Foto: Medley/Divulgação / Estadão

Por isso, segundo o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, a tendência é de que sejam mantidas as duas marcas, atuando de maneira individualizada no mercado. "É importante manter marcas, embora os portfólios sejam mais colidentes do que complementares", disse.

Por outro lado, segundo ele, a empresa enxerga a possibilidade de obter ganhos de sinergias tanto em portfólio, no curto prazo, com a adição de alguns medicamentos e a possibilidade de repassar à nova empresa algumas moléculas desenvolvidas pelo grupo.

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Também na parte operacional. As duas empresas, por exemplo, têm unidades em Campinas, no interior de São Paulo, que ficam a menos de 20 quilômetros de distância uma da outra. Sanchez prevê outros ganhos operacionais no longo prazo, mas sem fechamento de unidades.

Segundo ele, tanto a EMS, quanto a Medley precisarão em breve de investimentos para expansão de capacidade. Para fazer frente a essa demanda, a empresa prevê uma nova onda de investimentos que demandarão aporte de R$ 1 bilhão. A prioridade para as futuras fábricas, de acordo com Sanchez, é a instalação em Manaus por conta de incentivos fiscais mesmo após 2031.

O negócio agora será submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa é de que seja aprovado ainda este ano. Na avaliação de Sanchez, o mercado farmacêutico brasileiro é pouco concentrado, o que pode facilitar a aprovação.

No mercado acionário, a reação foi sobre os papéis da Hypera, que às 15h26 haviam reduzido os ganhos e apresentava ligeira alta de 0,17%, cotada a R$21,86 por ativo.

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Durante teleconferência na manhã desta sexta-feira, Sanchez afirmou que a Medley estava voltando a ser uma empresa brasileira. Ela pertencia ao empresário Alexandre Negrão e estava desde 2009 sob controle da francesa Sanofi, que comprou a companhia por R$ 1,5 bilhão em valores da época.

Um motor da indústria de genéricos

A Medley foi fundada em 1996 voltada principalmente ao mercado de genéricos e foi uma das principais responsáveis por impulsionar esse nicho no País, que hoje responde por aproximadamente 40% das vendas de medicamentos brasileiro.

A Medley fabrica medicamentos como dipirona e ibuprofeno. Cresceu rapidamente ao investir em tecnologia, produção em larga escala e preços mais acessíveis, movimento que chamou a atenção da farmacêutica francesa e culminou na aquisição da empresa.

Mais recentemente, em 2023, a EMS também adquiriu da multinacional a marca Dermacyd, em uma transação avaliada em cerca de R$ 366 milhões, e ampliou a sua presença no mercado de higiene e cuidados pessoais.

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Criada pela família Sanchez, a EMS vem se consolidando como uma das principais indústrias farmacêuticas do País, principalmente com a produção de medicamentos genéricos e similares. Em seu portfólio, tem itens como Olire e o Lirux, pra obesidade e diabetes.

Com faturamento de R$ 10,94 bilhões, o grupo por trás da EMS é uma das maiores da América Latina no setor e tem a perspectiva de dar um salto em seu faturamento com medicamentos à base de semaglutida que serão lançados este ano, após a queda da patente do Ozempic. A expectativa é de alcançar US$ 5 bilhões de faturamento em dez anos, impulsionado principalmente por essa linha de produtos.

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