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Em disputa com Lula, Flávio vai aos EUA pedir adiamento de imposição de tarifas sobre o Brasil

6 jul 2026 - 08h35

O senador e pré-candidato à ‌Presidência Flávio Bolsonaro deve falar em uma audiência em Washington nesta segunda-feira, numa tentativa de persuadir o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adiar uma tarifa comercial de 25% proposta sobre os produtos brasileiros até depois das eleições de outubro, buscando se distanciar das taxações que alguns atribuem ao seu campo político.

Em junho, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais, como desmatamento ilegal ⁠e o que chama de práticas desleais em pagamentos eletrônicos, pouco depois de Flávio, filho mais velho do ex-presidente ‌Jair Bolsonaro, ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington.

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A sequência de eventos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, a acusar o senador de ter ajudado ‌a desencadear a medida — acusação que Flávio nega.

"É deplorável que mais ‌uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, ⁠como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país", disse o Planalto em nota, após visita de Flávio a Trump.

A iniciativa de Flávio Bolsonaro de tornar as relações EUA-Brasil uma pauta de campanha está amplamente alinhada com o crescente engajamento do presidente Donald Trump com a América Latina, que incluiu a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, após capturá-lo em Caracas, e o apoio a candidatos presidenciais de ‌direita, como o colombiano Abelardo De La Espriella, que obteve uma vitória apertada no mês passado.

Mas novas tarifas norte-americanas ‌sobre produtos brasileiros "dariam ao atual governo ⁠brasileiro exatamente a vitória política ⁠que ele vem arquitetando", argumentou o senador em documento enviado ao Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

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De ⁠acordo com uma pesquisa divulgada no mês passado pelo instituto ‌Quaest, no que se refere às ‌tarifas, 47% dos brasileiros concordaram com Lula, que acusou Flávio de pedir aos EUA que impusessem novas tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto 35% concordaram com o senador, que afirmou ter pedido o contrário.

"Eles estão tentando fazer controle de danos," disse Leonardo Paz, professor de relações internacionais do Ibmec e da ⁠Fundação Getúlio Vargas.

ADIAMENTO

Autoridades brasileiras vêm negociando com seus homólogos norte-americanos há meses para tentar evitar novas tarifas.

Mas Flávio argumentou que o Brasil não fez o suficiente para encontrar um meio termo com os EUA, e propôs uma suspensão de 180 dias antes de qualquer decisão sobre as tarifas.

"O Brasil realiza eleições gerais em outubro de 2026, e o cenário político que determina ‌a viabilidade de qualquer resolução negociada será redefinido em aproximadamente noventa dias", escreveu o senador ao USTR.

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Os EUA têm até 15 de julho para decidir se impõem as tarifas sob a Seção 301 da ⁠legislação comercial dos EUA, que ainda isentariam produtos como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves.

A mais recente viagem de Flávio a Washington fez parte de um esforço mais amplo de sua família para conquistar o apoio do governo Trump, que incluiu negociações no ano passado para buscar a interferência da Casa Branca no julgamento do pai, referente a sua tentativa de reverter a derrota eleitoral de 2022.

Trump impôs tarifas pesadas aos produtos brasileiros no ano passado em resposta ao que chamou de uma caça às bruxas contra Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado meses depois.

Até agora, porém, os esforços do senador para evitar novas tarifas parecem estar tendo pouco impacto.

Em resposta a uma carta que Bolsonaro enviou no mês passado pedindo a Washington que não impusesse tarifas adicionais aos produtos brasileiros, o secretário de Estado Marco Rubio escreveu que "continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", apontando-as como justificativa para as medidas propostas.

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