A economia dos Estados Unidos cresceu 2,2% em 2025, em comparação com 2,3% no ano anterior. Os números são preliminares e serão revisados pelo menos duas vezes nos próximos meses.
No final do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) americano — a produção nacional de bens e serviços — desacelerou, encerrando um ano volátil. Em 2025, o crescimento da economia se manteve firme, já que consumidores resilientes e um boom de investimentos em inteligência artificial ajudaram a manter o crescimento nos trilhos, apesar das tarifas, da incerteza e da mais longa paralisação do governo da história.
O PIB ajustado pela inflação cresceu a uma taxa anual de 1,4% nos últimos três meses do ano, segundo informou o Departamento de Comércio dos EUA nesta sexta-feira, 20. Isso representou uma queda acentuada em relação à taxa de 4,4% no terceiro trimestre (de julho a setembro) e de 3,8% no trimestre anterior, em parte devido à paralisação prolongada.
Uma desaceleração nos gastos do governo e dos consumidores contribuiu para a desaceleração do crescimento no quarto trimestre, informou o governo.
O crescimento no período foi prejudicado pela paralisação do governo federal de 43 dias, que deixou centenas de milhares de funcionários públicos temporariamente sem salários. Os trabalhadores afastados acabaram recebendo seus salários atrasados, e os economistas acreditam que o impacto de longo prazo da paralisação no PIB será pequeno. Mas o episódio pode ter reduzido o crescimento em cerca de 1 ponto percentual no final de 2025; a recuperação subsequente deve elevar o crescimento em uma quantidade semelhante no início de 2026.
Os gastos dos consumidores aumentaram apenas 2,2%, uma desaceleração significativa em relação ao ganho de 3,5% do terceiro trimestre. O relatório destaca um aspecto curioso da economia dos EUA: ela cresce constantemente, mas sem criar muitos empregos.
Um relatório do governo divulgado na semana passada mostrou que os empregadores criaram menos de 200 mil vagas no ano passado — o menor número desde o início da pandemia da covid, em 2020.
Economistas apontam várias razões possíveis para essa diferença: a repressão da administração Trump à imigração desacelerou drasticamente o crescimento populacional, reduzindo o número de pessoas disponíveis para ocupar empregos.
Essa é uma das razões pelas quais a taxa de desemprego subiu apenas ligeiramente — de 4% para 4,3% — no ano passado, mesmo com a contratação quase inexistente. Algumas empresas também podem estar evitando criar empregos devido à incerteza sobre se a inteligência artificial lhes permitirá produzir mais sem precisar contratar novos funcionários. Além disso, o custo das tarifas reduziu os lucros de muitas empresas, possivelmente levando-as a cortar contratações.
A economia também atravessa um momento incomum, pois o crescimento é sólido, a inflação desacelerou um pouco e o desemprego está baixo, mas pesquisas mostram que os americanos estão, em geral, pessimistas em relação à economia.
Em janeiro, um indicador de confiança do consumidor caiu para seu nível mais baixo desde 2014, mas os consumidores continuaram gastando. Parte desses gastos pode ser impulsionada desproporcionalmente por consumidores de renda mais alta. No entanto, dados de grandes bancos sugerem que os consumidores de renda mais baixa ainda estão aumentando seus gastos, mesmo que em menor intensidade./Com AP e NYT