BRASÍLIA E NOVA YORK - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta quarta-fera, 15, que o Brasil realizou hoje uma emissão de € 5 bilhões (pouco mais de R$ 29 bilhões) em títulos soberanos no mercado europeu.
Conforme a Estadão/Broadcast apurou mais cedo, a demanda foi acima do esperado e ficou próxima a € 16 bilhões. Foi a primeira operação de emissão de títulos de dívida (bonds) do Tesouro Nacional no mercado europeu em 12 anos, de maior montante já realizado pelo País.
"A demanda acima do esperado reforça um sinal claro: há confiança dos investidores internacionais na economia brasileira e na condução da política econômica", afirmou o ministro em publicação no X.
Ele destacou que a operação foi estrutura em três prazos - 4, 7 e 10 anos -, ampliando a curva de juros do Brasil em euros. Segundo ele, "um passo importante para consolidar a presença do País no mercado europeu". Durigan ressaltou ainda que a emissão "é um movimento relevante dentro da estratégia de reposicionar o País no cenário financeiro internacional".
Segundo o ministro, esse tipo de emissão não beneficia apenas o setor público. "Ao fortalecer a referência soberana, abre espaço para que empresas brasileiras também acessem o mercado externo em melhores condições."
O Brasil realizou hoje uma emissão de €5 bilhões em títulos soberanos no mercado europeu. É um movimento relevante dentro da estratégia de reposicionar o país no cenário financeiro internacional.
— Dario Durigan (@DarioDurigan) April 15, 2026
A emissão no mercado europeu ocorre a 15 dias do acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrar em vigor, previsto para ocorrer em 1º de maio.
Durigan ainda afirmou que, mais do que uma captação no mercado externo, a "operação marca um avanço na estratégia de diversificação do funding e no fortalecimento das relações econômicas com a Europa - com efeitos concretos para o país no médio prazo".
Novos mercados
Durigan afirmou que o governo brasileiro vai buscar novos mercados para emissões externas ainda neste ano.
"A oferta que a gente percebeu foi muito maior do que as nossas expectativas, o que mostra, de um lado, que o Brasil tem a credibilidade do mercado", disse Durigan a jornalistas, em Washington, às margens das reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo ele, o governo fez emissões semelhantes a de hoje no mercado norte-americano nos anos anteriores e, desta vez, volta ao mercado europeu com "grande sucesso".
"Vamos prospectar novos mercados até o fim do ano", disse Durigan. "Uma outra coisa importante é que quando a gente abre a curva desses títulos de dívida em mercados internacionais, existe um estímulo, uma facilitação para que as empresas brasileiras também façam emissões próprias nesses mercados", acrescentou.
Países Baixos
Sobre a iniciativa dos Países Baixos, que pede o cessar-fogo na guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, o ministro brasileiro disse que o tema não foi tratado em Washington.
"Mas é importante todo mundo saber que a linha do presidente Lula é pela paz. Sempre foi, não em um caso ou outro específico, mas em especial nesse caso da guerra do Irã - sem dúvida que o Brasil apoia", disse em referência à pacificação.
Durigan se reuniu nesta quarta-feira, dia 15, com o ministro das Finanças dos Países Baixos, Eelco Heinen. Conforme ele, a pauta foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).
"Os Países Baixos já são um dos apoiadores e estão nos ajudando na construção do fundo que vai fazer o financiamento", explicou o ministro. "A gente tratou dos próximos passos, inclusive os convidei a aumentar o aporte dos Países Baixos no TFFF", acrescentou.