Alta do ouro impulsiona faturamento e exportações do setor mineral brasileiro no 1º tri, diz Ibram

15 abr 2026 - 17h30

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 15 Abr - A disparada do ouro ‌no mercado internacional impulsionou o faturamento e as exportações do metal brasileiro no primeiro trimestre, em meio a uma busca global por ativos de proteção e diante de incertezas relacionadas a instabilidades geopolíticas, afirmaram representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), nesta quarta-feira.

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O faturamento do minério de ouro no Brasil somou R$13,5 bilhões no primeiro trimestre, alta ⁠de 45% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados ‌pelo Ibram, que representa mineradoras com atuação no Brasil, como Vale, AngloGold Ashanti e Kinross Gold.

As exportações de ouro do Brasil, por sua vez, alcançaram US$2,338 bilhões, ‌salto de 89,3% na mesma base de comparação, enquanto ‌o volume embarcado cresceu 8,7%, para 18,3 toneladas, informou o Ibram.

O desempenho ⁠refletiu sobretudo a forte valorização do metal no exterior. Segundo o Ibram, o preço médio trimestral do ouro subiu 70,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para US$4.875,39 por onça troy, em um ambiente de maior aversão ao risco e incerteza geopolítica.

O presidente interino do Ibram, Pablo Cesário, disse que as tensões geopolíticas estão provocando ‌choques de preços e reforçando a busca por ativos de reserva de valor, como o ‌ouro.

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"Especialmente, talvez, com a ⁠queda da credibilidade das ⁠criptomoedas, o ouro está se tornando, de novo, o principal produto de reserva de valor", afirmou ⁠Cesário, em sua primeira coletiva de imprensa ‌sobre resultados trimestrais após assumir ‌a liderança do instituto de forma interina no início de março.

A alta do ouro ajudou a compensar a fraqueza do minério de ferro, principal produto da mineração brasileira, cujo faturamento caiu 3% no período, para R$37,5 bilhões, ainda assim ⁠equivalente a 48% da receita total do setor.

No total, o faturamento da mineração brasileira somou R$77,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6% em relação a um ano antes. As exportações do setor alcançaram US$11,4 bilhões, avanço de 21,5%.

PREOCUPAÇÃO

Apesar do impulso trazido pelo ouro, Cesário destacou que o ‌Ibram acompanha com preocupação discussões no Congresso sobre mudanças nas regras de rastreabilidade do metal, por avaliar que substitutivo ao PL 3025/2023 em debate pode abrir espaço para ⁠a volta da autodeclaração de origem em pontos de compra.

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Segundo Cesário, isso poderia facilitar novamente a entrada de ouro do garimpo ilegal no mercado formal brasileiro.

O substitutivo, segundo o Ibram disse em nota, ainda retira da Agência Nacional de Mineração (ANM) a atribuição de rastrear o metal e a transfere para a Casa da Moeda. "Estamos muito preocupados. Nossa posição é contra o projeto, do modo como ele está... porque ele significa a retomada da lavagem de ouro ilegal no Brasil", disse Cesário.

Segundo ele, medidas adotadas desde 2023 para exigir maior documentação nas transações ajudaram a reduzir a comercialização de ouro ilegal no mercado doméstico. O executivo afirmou que a preocupação é que uma eventual flexibilização reverta esse movimento justamente quando o metal opera em níveis historicamente elevados.

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