Dólar sobe no Brasil após decisão do Fed e antes do anúncio do Copom sobre juros

18 mar 2026 - 17h17
(atualizado às 17h48)

O dólar fechou a quarta-feira em alta ‌ante o real, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, movimento que ganhou força após a decisão sobre juros do Federal Reserve, com investidores no Brasil à espera do anúncio do Copom sobre a Selic.

Pessoa conta notas de dólares
16/05/2016 REUTERS/Kham
Pessoa conta notas de dólares 16/05/2016 REUTERS/Kham
Foto: Reuters

Em mais um dia de avanço dos preços do petróleo no exterior, em função da guerra no Oriente Médio, o dólar à vista fechou ⁠a sessão no Brasil com alta de 0,83%, aos R$5,2436.

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No ano, a divisa passou a registrar queda de ‌4,47%.

Às 17h24, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,98% na B3, aos R$5,2660.

Até o início da tarde, o dólar alternou altas e baixas ante o real, com ‌investidores à espera das decisões sobre juros, mas após o ‌anúncio do Fed, às 15h, a moeda norte-americana se firmou no campo positivo, renovando máximas ⁠até o fechamento.

O Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e indicou que segue projetando apenas um corte de juros em 2026, a despeito da inflação mais alta.

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Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas, mas que os preços mais altos de energia no curto ‌prazo vão impulsionar a inflação. Segundo ele, ainda é cedo para saber a duração dos efeitos da guerra ‌sobre a economia.

Após a decisão ⁠do Fed, os rendimentos dos ⁠Treasuries exibiram altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores elevando as apostas de que ⁠a instituição não cortará juros em junho -- mês que ‌era visto como o do possível ‌início do ciclo de baixa.

Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante as demais divisas, incluindo as de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o próprio real.

"A comunicação (do Fed) foi interpretada como mais 'hawkish' (dura)... com o mercado ⁠passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed", disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

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"Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY (índice do dólar) renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento", acrescentou.

Às 17h26, o índice ‌do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,74%, a 100,290.

No Brasil, investidores aguardam agora pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do ⁠Banco Central sobre a Selic. O anúncio sairá após as 18h30.

A precificação majoritária nos ativos é de corte de 25 pontos-base da Selic, mas nos últimos dias cresceram as apostas de que o BC pode optar pela manutenção da taxa básica em 15%, tendo em vista o impacto inflacionário trazido pela guerra no Oriente Médio.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.

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Dados divulgados nesta quarta-feira pelo BC mostraram que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,605 bilhões em março até o dia 13 -- período que abarca as duas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.

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