O dólar opera em alta frente ao real, cotado a R$ 5,13, enquanto o mercado assimila a ata do Copom que defende juros restritivos diante da demanda persistente, apesar de analistas preverem cortes futuros na Selic. A redução do diferencial de juros com os EUA impulsiona a moeda americana. O cenário econômico é pressionado ainda pela queda do petróleo Brent para menos de US$ 100, pelas tensões geopolíticas na Assembleia Geral da ONU e pelo empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula nas pesquisas.
O dólar exibia altas ante o real nesta terça-feira, em uma manhã em que o petróleo voltou a ser negociado abaixo dos US$100 o barril em Londres, com investidores no Brasil digerindo a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Às 9h47, o dólar à vista subia 0,49%, a R$5,1333 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- tinha alta de 0,39%, aos R$5,1425.
O Copom defendeu na ata a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.
"Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou o BC no documento.
Ao analisar o documento, a economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Natalie Victal, citou um "ganho de convicção na desaceleração da atividade".
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a ata indica que o Copom está confiante no processo de desinflação da economia.
"Apesar do nosso cenário base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões, impondo um viés baixista para a nossa projeção", disse Lin em comentário escrito.
A perspectiva de novo corte da Selic em novembro, para 13,50%, somada à possibilidade de mais aumentos de juros nos EUA, cuja taxa está hoje na faixa de 3,75% a 4,00%, reduz o diferencial de juros entre os dois países -- algo que pode alterar o fluxo de investimentos para o Brasil, com impactos de alta no dólar.
Nesta terça-feira, outro fator de atenção dos investidores é a corrida pelo Planalto. Na noite anterior, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.
Além disso, os investidores estão atentos à Assembleia Geral da ONU. Além do discurso de Lula, durante a manhã, há expectativa por algum avanço nas negociações entre EUA e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Às 9h46, o petróleo Brent cedia 1,79%, aos US$98,54 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries também caíam. O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,01%, a 100,430.
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira no Brasil com queda de 0,72%, aos R$5,1080.
Às 11h30, o Banco Central realiza seu leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 50.000 contratos para 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)