O dólar opera em alta ante o real, a R$ 5,50, pressionado pela expectativa em torno do relatório de emprego nos EUA e por incertezas na política econômica brasileira. No exterior, investidores aguardam indicadores do mercado de trabalho para avaliar a inflação americana. No Brasil, a indefinição sobre o ajuste fiscal e o adiamento de medidas econômicas pelo governo Lula geram cautela, mantendo o câmbio vulnerável à aversão ao risco.
O dólar operava em leve alta ante o real na manhã desta sexta-feira, com os agentes aguardando a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos e novas sinalizações sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após reunião, na véspera, do presidente com autoridades e conselheiros.
Às 10h05, o dólar à vista tinha variação positiva de 0,29%, a R$5,5037 na venda.
O dólar futuro para dezembro tinha queda de 0,05%, aos R$5,5275.
As atenções dos mercados na manhã desta sexta se voltam para o relatório de emprego que será divulgado às 10h30 pelo Departamento do Trabalho dos EUA.
A expectativa é que a criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola no país tenha aumentado em outubro, mas uma desaceleração prevista no crescimento anual dos salários para menos de 3,0% pela primeira vez em quase 5 anos e meio reforçaria a visão de que o mercado de trabalho não está sendo uma fonte de inflação.
O relatório também deve mostrar a taxa de desemprego inalterada em 4,2% no mês passado, com alta probabilidade de ter caído para 4,1%. Demissões em níveis historicamente baixos e um recente aumento nas vagas de emprego aumentaram a perspectiva de um aperto no mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, localmente, os possíveis rumos da economia no quarto mandato do presidente Lula seguem no foco.
Na quinta-feira, Lula se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O encontro ocorreu um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros e em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas.
A falta de definições sobre os próximos passos econômicos e os caminhos que o governo optará para lidar com a questão fiscal segue gerando cautela no mercado.
"Até que haja clareza sobre o ajuste das contas públicas, o real deve permanecer vulnerável a movimentos de aversão a risco, e o câmbio tende a funcionar como um dos principais termômetros da confiança dos investidores", disse Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Na quinta-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,67%, aos R$5,4876.