Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

29 jan 2026 - 17h15
(atualizado às 17h59)

Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Notas de dólar
07/11/2016
REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Notas de dólar 07/11/2016 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Foto: Reuters

O dólar à vista ‌fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024.

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Às 17h09, o dólar futuro para ‌fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,02% na B3, aos R$5,1965.

No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países.

O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar ‍a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à ‌meta."

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O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos ‌investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes.

Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil -- com destaque para a bolsa -- vem pesando sobre as cotações do dólar.

Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1659 (-0,81%) às 11h45 desta quinta-feira, mas na sequência ganhou força até a máxima de R$5,2493 (+0,79%) às 12h18.

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A escalada rápida do dólar ante o real esteve em sintonia com uma piora generalizada dos mercados globais após a abertura da bolsa de Nova York, onde os índices eram penalizados pelo mergulho das ações de tecnologia. Também penalizado por Wall Street, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%.

Durante a tarde o dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 -- ainda que o Ibovespa seguisse pressionado.

Com o movimento desta quinta-feira, o dólar acumulou queda de 5,37% ante o real em 2026.

Ao avaliar a depreciação recente do dólar, o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, lembrou que isso se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos ‌Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve.

"A natureza da depreciação do dólar é de perda de confiança nos Estados Unidos, mais do que o processo cíclico de o Fed cortar juros. O que me leva a pensar que isso pode mudar, pode virar", afirmou à Reuters.

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No exterior, às 17h39 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,04%, a 96,199.

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