RIO - Após dez meses de trabalhos, a Petrobras atingiu, na quinta-feira, 13, o reservatório do poço pioneiro Morpho, nas águas ultraprofundas da Margem Equatorial brasileira. Segundo a estatal, foi identificada a presença de óleo. A descoberta encerra uma grande expectativa da indústria, que vê na nova fronteira a reposição de reservas de que o País precisa.
"Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante, ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais", disse ao Estadão/Broadcast o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, colunista do Estadão.
A licença ambiental foi um dos obstáculos que a Petrobras teve que superar para iniciar a campanha em uma região que teve a desistência de grandes petroleiras, como TotalEnergies, BP e Ecopetrol. Outro desafio foi a distância do Amapá das operações da estatal no País e a falta de infraestrutura, que teve que ser feita pela companhia.
O fim da campanha de exploração no poço pioneiro nas águas ultraprofundas da região havia sido antecipado pela diretora de Exploração & Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em evento nesta semana. Em entrevista na terça-feira, 11, a executiva afirmou que a descoberta aconteceria em dois ou três dias.
Com os olhos do mundo voltados para a exploração na bacia da Foz do Amazonas, a descoberta confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, avaliou o Instituto do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), reforçando a segurança energética nacional no médio e no longo prazo.
"O IBP vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas. A notícia divulgada pela Petrobras na data de hoje é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do País", avaliou a entidade.
Na Foz do Amazonas - uma das cinco bacias da Margem Equatorial brasileira -, é calculada a presença de 30 bilhões de barris de petróleo, segundo estimativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A confirmação da existência de petróleo na nova fronteira é uma promessa de alívio para a Petrobras, que precisa recompor suas reservas, além de sinalizar uma injeção de investimentos em uma das regiões mais pobres do País.
No fim de julho, a presidente da estatal, Magda Chambriard, havia dito ao Estadão/Broadcast que a expectativa para o fim da exploração era para o mês de agosto, mas poderia durar até a primeira semana de setembro. "Mas não vamos entrar em outubro", disse, na ocasião. A companhia informou que a perfuração do poço terá continuidade, como acontece normalmente. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre o reservatório do poço e verificar a comercialidade dos hidrocarbonetos encontrados.