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O que se sabe e o que falta descobrir sobre a descoberta de petróleo na Margem Equatorial

Estimativa é que o volume de óleo na região seja de mais de 30 bilhões de barris, mas, por enquanto, perfurações exploratórias em busca de mais informações vão prosseguir

14 ago 2026 - 22h11
(atualizado em 15/8/2026 às 00h06)

A Petrobras informou nesta sexta-feira, 14, a descoberta de petróleo na Margem Equatorial, próximo à foz do Rio Amazonas, na região Norte do Brasil. A expectativa é de que as bacias de óleo no mar ao norte do Brasil possam ser importantes áreas de exploração do combustível, apesar dos questionamentos sobre a operação em uma área ambientalmente sensível.

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Veja a seguir perguntas e respostas sobre o tema.

Onde fica a descoberta da Petrobras?

A Petrobras atingiu nesta sexta-feira, 14, o reservatório do poço de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, e anunciou ter descoberto petróleo. Morpho está localizado a uma profundidade de 2.886 metros, a cerca de 175 quilômetros da costa do Estado do Amapá e de 500 quilômetros do local onde o rio Amazonas despeja suas águas no Oceano Atlântico.

A Petrobras é a operadora do bloco FZA-M-59, onde está Morpho, e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11.ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.

A Margem Equatorial não se resume à foz do Amazonas e se estende pelas áreas de seis Estados brasileiros: Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A região tem cinco bacias onde há indícios da presença de petróleo: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. Também está presente em países vizinhos como Guiana e Suriname.

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Margem Equatorial Brasileira se estende por seis Estados: Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte
Margem Equatorial Brasileira se estende por seis Estados: Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte
Foto: Arte/Estadão / Estadão
Já se sabe quanto petróleo existe na Margem Equatorial?

A estimativa é que o volume de petróleo em toda a Margem Equatorial seja de mais de 30 bilhões de barris, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Há uma data prevista para o início da exploração comercial?

Ainda não. A perfuração está na fase de avaliação exploratória, quando são estudadas a quantidade de petróleo no local, as formas de extração adequadas e a viabilidade comercial e ambiental do empreendimento. De acordo com a empresa, "as operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas".

Uma vez confirmadas a existência dos reservatórios e a viabilidade comercial da exploração, e se as licenças ambientais foram concedidas, a produção poderia ser iniciada em seis anos.

Há licença do Ibama?

Até agora, o Ibama concedeu a licença apenas para a pesquisa exploratória que está sendo realizada, não para a exploração comercial dos poços. Um dos objetivos da pesquisa é justamente obter informações para determinar estratégias adequadas para a perfuração e preparar planos de contingência adequados.

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O processo para a concessão da licença de pesquisa exploratória foi repleto de idas e vindas, com o Ibama inicialmente negando, por considerar que o plano de contingência não estava adequado. Em junho de 2026, o então presidente interino do Ibama, Ricardo Agostinho, afirmou que o processo para a licença de exploração comercial seguirá o ritmo normal de avaliações técnicas, sem ser acelerado por desejos políticos.

Petrobras defende que a Margem Equatorial tem potencial de garantir segurança energética do Brasil para as próximas décadas, após esgotamento das áreas de exploração atuais
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão
Por que a exploração na região é controversa?

Existe o temor por parte de organizações ambientalistas de que a exploração e possíveis vazamentos de óleo das bacias próximas à maior floresta tropical do mundo possam gerar desequilíbrios que afetem a fauna e a flora na região, incluindo uma barreira de corais ainda pouco estudada na foz do rio Amazonas.

Também é criticada a abertura e exploração de novos poços em um momento em que o Brasil e o mundo precisam se distanciar dos combustíveis fósseis, os principais causadores do aquecimento global.

A Petrobras afirma que segue rigorosos processos ambientais e técnicos para garantir a segurança das operações e o cuidado ambiental e das pessoas e que os recursos obtidos com a exploração serão utilizados para financiar a transição energética para fontes de energia renováveis e para desenvolver uma região empobrecida do Brasil.

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O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, também vê nas atividades da Petrobras no Amapá uma oportunidade para desenvolver a região. Porém, ele destacou que a riqueza gerada precisa ajudar na proteção da Floresta Amazônica, da Mata Atlântica e da Caatinga, em projetos de fato socioambientais que sejam feitos em parceria e diálogo com as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, dos povos originários e com os trabalhadores.

Por que a exploração é importante para a Petrobras?

As reservas de petróleo provadas disponíveis no Brasil antes da descoberta na bacia da Foz do Amazonas, no ritmo de produção atual, tendem a se esgotar em pouco mais de uma década. Entre essas, estão as bacias do pré-sal, no Sudeste do País. Ou seja, há a necessidade de o País buscar novas fontes se não quiser se tornar importador de petróleo a partir dos anos 2030.

De acordo com a companhia, a Margem Equatorial tem o potencial de garantir a segurança energética do Brasil para as próximas décadas, atendendo à crescente demanda por energia, além de gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional e nacional.

Já houve algum problema na região?

Sim. Em janeiro deste ano, a Petrobras identificou um vazamento de fluido de perfuração durante a pesquisa do poço Morpho, mas, segundo a empresa, não houve danos ambientais pois o líquido é biodegradável e atende aos limites de toxicidade.

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O incidente ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ODN II ao poço. Na ocasião, a companhia afirmou que a perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada e as linhas foram trazidas à superfície para avaliação e reparo. Também relatou que não houve problemas com a sonda ou com o poço, que permaneceram em total condição de segurança para a operação.

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