Decisão da Dinamarca de encerrar entrega de cartas contrasta com serviços da França e do Brasil

A virada do ano chegou com uma novidade peculiar para a população da Dinamarca. Desde de o dia 1° de janeiro, o serviço postal oficial do país, feito pela PostNord, não entrega mais correspondências, pondo fim a uma tradição que durou mais de quatro séculos. A decisão do governo dinamarquês foi tomada por conta de uma drástica queda no número de cartas enviadas.

2 jan 2026 - 17h36

O volume de cartas enviadas na Dinamarca país caiu 90% nos últimos 25 anos, a ponto de, em 2024, a empresa anunciar prejuízos de 428 milhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a cerca de R$ 360 millhões. 

Grupo La Poste, responsável pelos correios na França, entregou 5,6 bilhões de cartas em 2025 e projeta entregar 3 bilhões por ano até 2030.
Grupo La Poste, responsável pelos correios na França, entregou 5,6 bilhões de cartas em 2025 e projeta entregar 3 bilhões por ano até 2030.
Foto: © flickr.com / RFI

Diante da situação, as autoridades decidiram suprimir a entrega de correspondências. A PostNord, criada a partir da fusão dos serviços postais dinamarqueses e suecos, também anunciou a eliminação de 1.500 empregos diante da "digitalização crescente". A Dinamarca é o primeiro país do mundo a decidir que o correio em papel não é mais essencial nem economicamente viável.

Publicidade

A partir de agora, quem quiser enviar uma carta ou correspondência na Dinamarca terá como alternativa a empresa privada DAO. A estatal PostNord, por sua vez, que começou a operar em 1624, irá se concentrar apenas na entrega de encomendas.

O cenário dinamarquês contrasta com países como França e Brasil, onde os correios são um símbolo nacional. Segundo uma reportagem da rádio France Inter, o grupo La Poste, responsável por este tipo de serviço na França, entregou 5,6 bilhões de cartas em 2025 e projeta outras 3 bilhões por ano até 2030. Mas apesar de uma tendência de baixa, o serviço continuará por pelo menos mais 10 anos, já que ocontrato da empresa como provedor postal universal no país foi renovado até 2035. 

Na França, La Poste faz delivery de refeições e medicamentos

Além das correspondências, La Poste francesa é responsável por levar 2,6 bilhões de encomendas por ano em todo o mundo, o que representa 50% de sua receita, que chegou € 34,6 bilhões em 2024. Para não correr o risco de ficar dependente da entrega de correspondências, o grupo passou a diversificar e oferecer também novos serviços, como delivery de refeições e medicamentos, além de aulas para motoristas. La Poste também funciona como banco, com acesso simplificado para abertura de contas. 

Ainda assim, segundo a rádio Franceinfo, a entrega de correspondências continua como prioridade entre as missões de interesse público, seguida pelo acesso a serviços bancários e pelo desenvolvimento regional, com a implementação de agências em todo o país.

Publicidade

Para atender a estes objetivos, a empresa emprega 227 mil pessoas em mais de 60 países nos cinco continentes, sendo quase 166 mil no território francês.

Debate sobre privatização dos Correios no Brasil

No Brasil, por sua vez, a crise nos Correios abre o debate sobre o futuro da estatal e, por consequência, deste tipo de serviço no país. Mas a ideia de uma mudança drástica nos serviços oferecidos pela entidade, como a que foi feita na Dinamarca, parece estar fora de cogitação.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, já admitiu a possibilidade de estabelecer parcerias com a iniciativa privada, mas negou a opção de privatização. O declaração foi dada em coletiva de imprensa junto ao anúncio de um plano de reestruturação em 29 de dezembro de 2025.

"Hoje não tem um olhar sobre privatização, mas tem um olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade de economia mista que funcionam. Tem exemplos em que não há sociedade de economia mista, mas há parcerias específicas para temas relevantes, como negócios financeiros e seguridade", explicou Rondon na ocasião.

Publicidade
A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se