O transporte executivo de luxo nos EUA, baseado em contratos corporativos e com alta rentabilidade, apresenta margens atrativas, chegando a gerar até US$ 90 mil líquidos anuais por veículo, destacando-se como alternativa promissora para investidores estrangeiros.
Um modelo de negócio pouco explorado por investidores estrangeiros começa a ganhar espaço nos Estados Unidos ao combinar mobilidade corporativa, contratos recorrentes e alta rentabilidade. Empresas de transporte executivo com frota própria de veículos de luxo, focadas no atendimento a multinacionais, escritórios jurídicos e grandes eventos, têm apresentado margens que chamam a atenção de brasileiros que já vivem legalmente no país ou avaliam investir no mercado americano.
O formato se distancia de aplicativos de transporte e opera por meio de contratos fixos com empresas que terceirizam a locomoção de executivos, diretores e convidados. Segundo levantamento da IBISWorld, o mercado de “Limousine & Town Car Services” movimentou cerca de US$ 19 bilhões em 2024 nos Estados Unidos, com crescimento impulsionado pela retomada de eventos corporativos, feiras internacionais e grandes competições esportivas.
A lógica do negócio passa pela previsibilidade. Em vez de corridas avulsas, os veículos ficam à disposição de clientes corporativos para agendas diárias, deslocamentos entre aeroportos, reuniões e eventos. “O diferencial está no contrato. Não é transporte sob demanda, é logística executiva. Isso garante fluxo de caixa estável e reduz riscos”, afirma o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional e negócios nos Estados Unidos, que acompanha de perto estruturas desse tipo.
Dados da Statista indicam que o segmento premium de mobilidade corporativa cresce acima da média do setor de transporte, especialmente em cidades como Houston, Austin, Dallas, Miami e Orlando, onde há concentração de sedes corporativas, eventos esportivos e polos de negócios.
Custos controlados e margem elevada
Um dos fatores que explicam a atratividade do modelo é a estratégia de frota. Veículos como Mercedes-Benz Classe S e Audi A8, com dois a cinco anos de uso, são adquiridos no mercado secundário por valores entre US$ 30 mil e US$ 45 mil, segundo dados do Kelley Blue Book. Apesar de não serem novos, mantêm padrão elevado de conforto, especialmente para passageiros no banco traseiro, principal público desse serviço.
Os custos operacionais também são previsíveis. Planos de garantia estendida do tipo “bumper to bumper” custam, em média, US$ 1.800 por ano por veículo e cobrem motor, câmbio e sistemas eletrônicos. Despesas anuais com pneus e freios giram em torno de US$ 2.000 por carro, enquanto gastos adicionais com estética e higienização ficam abaixo de US$ 500 anuais.
O seguro empresarial, contratado em apólice única para a frota, reduz o custo médio por veículo. De acordo com dados do National Association of Insurance Commissioners (NAIC), frotas corporativas conseguem economias de até 25% em comparação a seguros individuais.
Na ponta da receita, cada veículo pode faturar cerca de US$600 por dia em contratos regulares. Em períodos de grandes eventos, como Fórmula 1 em Austin, MotoGP, campeonatos de automobilismo e convenções corporativas, esse valor pode ultrapassar US$ 1.300 por diária, segundo operadores do setor. “Em semanas com eventos, a rentabilidade praticamente triplica”, observa Toledo.
Após pagamento de motoristas, impostos e custos fixos, o lucro líquido anual por veículo varia entre US$ 70 mil e US$ 90 mil, dependendo da taxa de ocupação e do calendário de eventos. “São números consistentes, desde que haja gestão profissional e contratos bem estruturados”, afirma o advogado.
Perfil do investidor e exigências legais
O modelo tem atraído especialmente estrangeiros que já possuem autorização de trabalho ou vistos que permitem atividade empresarial nos Estados Unidos. Embora não seja, por si só, um caminho automático para imigração, a estruturação correta do negócio pode ser compatível com vistos de investimento, como o E-2, em casos específicos.
“O erro mais comum é achar que basta comprar carros e começar a operar. Há exigências estaduais, licenças específicas, seguros obrigatórios e regras trabalhistas rigorosas”, alerta Toledo. Segundo ele, a informalidade, comum em outros mercados, não se sustenta no ambiente regulatório americano.
Para as empresas contratantes, a vantagem também é fiscal. Os custos com transporte executivo são dedutíveis do imposto corporativo, o que torna mais eficiente terceirizar a frota do que manter veículos próprios, assumir depreciação e gerenciar motoristas.
Um mercado menos óbvio, mas em expansão
Com a economia americana ainda fortemente baseada em serviços e mobilidade corporativa, o transporte executivo de alto padrão ocupa um nicho menos visível, porém altamente profissionalizado. O Bureau of Transportation Statistics aponta que a demanda por serviços privados de transporte corporativo já superou, em algumas regiões, os níveis pré-pandemia.
Para investidores estrangeiros, o negócio surge como alternativa a setores mais saturados, como alimentação e varejo. “É um mercado técnico, que exige planejamento, mas oferece retorno real. Não é promessa fácil, é operação”, resume Toledo.
A combinação de contratos recorrentes, ativos duráveis e demanda previsível coloca o transporte executivo premium no radar de quem busca empreender legalmente nos Estados Unidos com foco em rentabilidade e menor exposição a volatilidades do consumo.