Decepção de controladora da Louis Vuitton na China aponta para dificuldade no setor de luxo

13 out 2026 - 11h17
Resumo
A desaceleração das vendas da LVMH no terceiro trimestre, puxada pela fraca demanda na China por marcas como Louis Vuitton, acendeu um alerta para o setor global de luxo, que enfrenta três anos de retração. A crise imobiliária e o aperto fiscal chinês derrubaram em 5% as vendas de moda e couro do grupo, cujas ações acumulam queda de 40% no ano. O cenário arrasta rivais como Hermès e Kering, consolidando previsões de que a recuperação do mercado de artigos de luxo será lenta e desafiadora.

O desempenho abaixo do esperado nas vendas ‌trimestrais de moda e artigos de couro da LVMH, em função da fraca demanda na China por sua marca principal, a Louis Vuitton, levantou novas dúvidas sobre se o setor de luxo, avaliado em US$350 bilhões, poderá sair de um período de desaceleração que já dura três anos.

Há um ano, a LVMH, a maior empresa de luxo do mundo, divulgou sinais de ⁠uma demanda chinesa ligeiramente melhor, provocando uma forte recuperação em todo o setor. Mas hoje há ‌indícios de um declínio mais longo e profundo.

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Suas ações, listadas na bolsa de Paris, foram negociadas mais cedo perto do menor preço em mais de seis anos.

Os principais grupos de ‌luxo da Europa perderam cerca de 330 bilhões de ‌euros em valor de mercado desde o início do ano, com a LVMH, sozinha, ⁠registrando uma queda de aproximadamente 40%.

"Apesar da recente fraqueza no preço das ações, esperamos mais alguma pressão sobre o setor como um todo hoje, com a confirmação de que o mercado chinês parece ter sofrido uma queda significativa (e maior do que se temia)", afirmaram analistas do JPMorgan em uma nota aos clientes.

A China surgiu há quase duas décadas como o principal motor ‌de crescimento do setor de luxo, mas as vendas têm estado estagnadas desde o fim do ‌boom pós-pandêmico, à medida que ⁠o fraco crescimento e ⁠a crise no setor imobiliário se refletem nos consumidores. Uma repressão fiscal aos mais ricos é a mais ⁠recente dor de cabeça para as marcas.

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Cinco analistas ‌reduziram seu preço-alvo para as ações ‌da LVMH em uma média de 7% após a divulgação dos resultados -- o primeiro relatório trimestral de uma grande empresa do setor --, prevendo que o desempenho abaixo do esperado também sinalize resultados fracos para alguns de seus concorrentes.

As ações dos grupos de luxo ⁠Hermès, Kering e Richemont também cediam nesta terça-feira.

RECUPERAÇÃO LEVARÁ TEMPO

A LVMH divulgou na segunda-feira uma queda de 5% nas vendas orgânicas de sua divisão de moda e artigos de couro, que gera quase metade da receita do grupo, ficando abaixo das expectativas do consenso da Visible Alpha, que previa um recuo de 1,8%.

O ‌grupo afirmou que um "cenário menos favorável" na China afetou suas receitas, contribuindo para um crescimento orgânico das vendas de 1% no total, excluindo oscilações cambiais, para 18,5 bilhões de euros, ⁠abaixo das expectativas de crescimento de 1,3%.

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A Ásia, dominada pela China, responde por mais de um quarto das vendas totais do grupo.

Questionada sobre as perspectivas de recuperação da Louis Vuitton em uma teleconferência com analistas, a diretora financeira do grupo, Cécile Cabanis, disse: "Leva um pouco de tempo, mas não acho que haja muitos atalhos aqui".

Cabanis afirmou que a marca evitou até o momento medidas drásticas, como cortes de preços, optando por se concentrar em iniciativas de longo prazo.

Para aumentar as preocupações dos investidores, o crescimento da divisão de relógios e joias da LVMH -- que abriga marcas como Bulgari e Tiffany -- desacelerou de 9% para 6% no primeiro semestre do ano, marcando uma mudança de tendência em um dos poucos pontos positivos do setor de luxo.

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