Críticos reagem friamente ao Ferrari Luce EV; ações caem

26 mai 2026 - 14h21

As ações da ‌Ferrari despencaram mais de 8% nesta terça-feira, com investidores e críticos reagindo friamente ao novo carro elétrico Luce da fabricante italiana de carros esportivos de luxo, questionando se ele se mantinha fiel à identidade da marca.

O carro familiar de quatro portas e cinco lugares, que custa €550.000, representa uma mudança radical para a marca do cavalinho rampante. Ele foi ⁠desenvolvido com a ajuda do ex-diretor de design da Apple Jony Ive e de seu ‌coletivo LoveFrom.

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As ações da Ferrari listadas em Milão fecharam em queda de 8,4%, enquanto as ações listadas em Nova York recuaram 5,1% às 15h50 GMT.

Fabio Caldato, gestor de ‌carteiras da AcomeA SGR, que detém ações da ‌Ferrari, disse à Reuters que a reação das ações refletia preocupações mais amplas ⁠do mercado. "A Ferrari está sendo penalizada por uma decepção estética, que se soma às significativas preocupações com a expansão de sua linha para incluir modelos elétricos", afirmou.

Muitos dos comentários nas redes sociais também foram negativos, com a aparência do veículo sendo alvo de críticas.

"Não parece nada com uma (Ferrari). É isso que se considera 'inovação'? Quem sabe o que (o ‌fundador da empresa) Enzo Ferrari diria", escreveu o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes italiano, Matteo ‌Salvini, no X.

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PRIMEIRO CARRO TOTALMENTE ⁠ELÉTRICO

Apresentado na noite ⁠de segunda-feira, o Luce marca a entrada da Ferrari no segmento de veículos totalmente elétricos, um marco ⁠importante para uma fabricante de carros de ‌luxo tradicionalmente associada a motores ‌de combustão de alto desempenho e seu som característico.

Luca Cordero di Montezemolo, que ocupou vários cargos de liderança na Ferrari por mais de 20 anos antes de uma saída conturbada em 2014, disse que o novo modelo era uma traição ⁠à história da Ferrari.

"Espero que retirem o cavalinho rampante (logotipo) daquele carro", disse ele à margem de uma conferência de negócios em Roma.

FOCO NA CHINA

O Luce, cujo nome deriva da palavra italiana para "luz", deverá começar a ser entregue no quarto trimestre. Ele é voltado para novos mercados, incluindo a China, ‌onde os veículos elétricos representam uma parcela crescente das vendas de carros premium.

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A Ferrari também está mirando uma nova geração de compradores ricos, incluindo empreendedores do setor ⁠de tecnologia em polos como o Vale do Silício, buscando ampliar seu apelo para além de sua base de clientes tradicional.

"Mantemos uma postura racional e partimos do princípio de que este novo produto poderá atrair um nicho de mercado de clientes", disse Caldato, da AcomeA.

Os compradores da Ferrari normalmente possuem mais de um veículo da marca, o que reflete sua base de clientes rica e voltada para colecionadores.

A reação fria do mercado destaca os riscos que a Ferrari enfrenta ao tentar preservar sua exclusividade e poder de precificação, enquanto navega por uma mudança mais ampla da indústria em direção à eletrificação.

As montadoras de luxo continuam enfrentando incertezas quanto à demanda por veículos elétricos de alta gama. A Ferrari adiou no ano passado os planos para um segundo modelo elétrico para pelo menos 2028, segundo a Reuters.

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