O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando frente ao período anterior, mas superando as projeções de mercado. O resultado positivo foi sustentado pela agropecuária, que avançou 2,8%, enquanto a indústria e os serviços tiveram fraco desempenho. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4%, pressionado pela taxa Selic elevada em 14% e pelo endividamento, refletindo os impactos da política monetária restritiva na economia.
A atividade econômica brasileira desacelerou no segundo trimestre diante da retração do consumo das famílias e da perda de dinamismo da indústria, ainda que o desempenho tenha sido um pouco melhor do que o esperado com destaque para a agropecuária, em meio a efeitos mais visíveis de uma política monetária restritiva.
O Produto Interno Bruto registrou crescimento de 0,5% no segundo trimestre em comparação com os três meses anteriores em dados com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
A perda de força da atividade já estava na mira de analistas, depois de a economia ter crescido 1,1% no primeiro trimestre, em dado não revisado pelo IBGE.
A leitura, a mais fraca desde o final do ano passado, ficou entretanto acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,4%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB apresentou crescimento de 2,0%, também acima projeção de 1,8% nessa base de comparação.
O Brasil vem enfrentando uma política monetária restritiva, o que afeta as empresas e o consumo em meio ao elevado nível de endividamento das famílias. Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de afrouxamento, a taxa básica de juros Selic ainda está em elevados 14%.
O mercado de trabalho aquecido e o crescimento da renda podem impedir uma queda mais brusca, mas medidas de estímulo fiscal e de crédito promovidas pelo governo tendem a perder força. Pesam ainda as incertezas com a eleição presidencial em outubro, a perspectiva de um El Niño forte, a continuidade da guerra no Oriente Médio e as tarifas dos Estados Unidos.
Do lado da produção, a agropecuária foi novamente o destaque com uma expansão de 2,8%, acima dos 2,3% do primeiro trimestre e a mais forte desde os três meses de janeiro a março de 2025.
"Nossa expectativa é que esses efeitos da agro diminuam no terceiro tri, o efeito do aperto monetário continue se espalhando pela economia, e você tem um terceiro trimestre crescendo, mas em ritmo menor", avaliou o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, projetando alta de 0,2% no terceiro trimestre e de 1,9% no ano.
A indústria desacelerou o ritmo de alta a 0,1%, de 1,2% no período anterior. As indústrias extrativas tiveram novamente desempenho positivo, de 3,4%, mas houve retração nas atividades de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,1%), indústrias de transformação (-0,4%) e construção (-0,4%).
O setor de serviços -- que responde por cerca de 70% da economia do país -- teve avanço de apenas 0,2%, de 0,4% no primeiro trimestre.
Já sob a ótica das despesas, o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%, após expansão de 0,8% nos três primeiros meses do ano.
As despesas do governo aumentaram 0,4% no segundo trimestre sobre o primeiro, repetindo a mesma taxa do período anterior. A Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, cresceu 1,2% na mesma comparação, desacelerando ante a taxa de 3,4% no primeiro trimestre.
No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8%, menos do que a retração de 2,1% vista entre janeiro e março. As importações cresceram 1,8%, também abaixo da alta de 4,2% no período anterior.