A Aneel manteve a bandeira tarifária amarela para setembro, com custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh, nível que deve durar até novembro antes de voltar à verde em dezembro. Paralelamente, o setor elétrico adota medidas de contingência e antecipa o suprimento de 1,8 GW para mitigar os riscos do fenômeno Super El Niño, previsto para impactar fortemente a geração e aumentar o consumo de energia no País entre outubro e dezembro.
BRASÍLIA - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nesta sexta-feira, 28, para o mês de setembro, a bandeira tarifária amarela, a mesma mantida desde maio de 2026. Nesse nível, os consumidores de energia elétrica continuarão com um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. O anúncio veio conforme as previsões do setor.
De janeiro a abril deste ano, a bandeira tarifária permaneceu verde, tendo em vista as condições favoráveis à geração de energia no País. No fim de maio, houve prognóstico de bandeira vermelha patamar 1, o que corresponde a um custo adicional de R$ 4,463 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, segundo projeções iniciais da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
O prognóstico mudou. No momento, a CCEE projeta que a conta de luz deve permanecer na bandeira amarela até novembro. A partir de dezembro, com o fim do período seco, a tarifa de energia elétrica deve seguir para a bandeira verde.
A manutenção da bandeira amarela reflete a melhor condição hidrológica do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o volume de água que chega aos reservatórios das hidrelétricas (Energia Natural Afluente) ficou em 243% da média histórica em agosto.
Já os percentuais de Energia Armazenada (EAR), indicador que reflete o nível dos reservatórios, apontam o subsistema Sul com maior porcentual, 93,6%. Na sequência, vem a região Norte, 75,6%; a Nordeste, 69,2%; e a Sudeste/Centro-Oeste, 55%.
Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) - valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.
Qual são os efeitos esperados do El Niño
As autoridades do setor elétrico estão olhando há meses para os efeitos esperados com o fenômeno do El Niño. Se concretizado, este cenário climático prevê menor disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e aumenta a carga do sistema elétrico devido à elevação das temperaturas e ao consequente crescimento do consumo de energia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, liberou em julho a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026). Isso garantirá 1,8 gigawatt (GW) adicionais ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro, segundo as informações apresentadas.
Na semana passada, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, detalhou as medidas de prevenção. Com o chamado super El Niño, as distribuidoras de energia elétrica estão reforçando os planos de contingência para lidar com eventuais eventos extremos do ponto de vista climático.
Pela previsão do setor, será o maior El Niño da história, com 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. A Aneel comunicou ao Tribunal Superior do Eleitoral (TSE) que o setor está em cenário de contingenciamento. "Não vejo (risco para eleições). Claro, temos ainda um mês e meio", complementou em conversa com jornalistas após a abertura do evento "Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro".
Foi informado ainda que os geradores de energia dos sistemas isolados do Norte (não conectados ao sistema elétrico) deverão receber antecipadamente os recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para que ocorra estoque de combustível na região. O motivo central é a possibilidade de dificuldade de navegação com a previsão de um super El Niño.
Há aproximadamente um ano, a Agência lançou o chamado Radar - sistema considerado pioneiro para o acompanhamento, em tempo real, das interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o País. Há dados informativos de 5.542 municípios, incluindo um histórico de ocorrências.