O Índice de Confiança do Consumidor da Ipsos subiu para 53,6 pontos em agosto, mantendo-se no campo positivo. O avanço é sustentado pela força do mercado de trabalho, com desemprego em baixa histórica (5,4%) e ganho real de renda, elevando as expectativas futuras para 66,6 pontos. Contudo, o cenário ainda exige cautela: o índice sobre a situação atual segue estagnado em 44,3 pontos e 60% dos brasileiros veem o país no rumo errado, pressionados por preocupações com criminalidade e corrupção.
Apesar das notícias recentes de endividamento recorde do governo, empresas e famílias e da onda de recuperações judiciais dos últimos meses, a confiança do consumidor brasileiro cresceu. Segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos, o número subiu 1,3 ponto em agosto na comparação com o mês anterior, atingindo 53,6 pontos - números acima de 50 pontos indicam um consumidor confiante.
"A manutenção do nosso ICC acima dos 50 pontos, atingindo agora 53,4 pontos, reflete uma estabilidade amparada pela força do mercado de trabalho", diz, em nota, Rafael Lindemeyer, Líder de Experiência na Ipsos no Brasil. "Os dados econômicos reais - como o desemprego em baixas históricas (5,4%) e os ganhos reais de renda - funcionam como uma âncora de proteção, refletindo-se em perspectivas mais positivas para o futuro."
De acordo com a Ipsos, esse movimento de agosto consolida a manutenção do índice no campo positivo (ou seja, acima de 50 pontos), um patamar que não foi alcançado apenas em abril. "Trata-se de uma estabilidade tímida e cautelosa, que reflete um consumidor respaldado pelo emprego, porém atento ao cenário externo", diz a empresa.
Ainda segundo a Ipsos, a anatomia do resultado revela que o avanço de agosto foi impulsionado por fundamentos do mercado de trabalho e por expectativas sobre o amanhã. "O subíndice de Emprego/Estabilidade subiu para 54,6 pontos, enquanto o indicador de Expectativas Futuras acompanhou o movimento, chegando a 66,6 pontos. Já o índice de Situação Atual manteve-se estagnado em 44,3 pontos", aponta a empresa.
Esse comportamento é endossado pelos dados da economia real: com a taxa de desocupação atingindo patamares historicamente baixos (na casa de 5,4%) e a massa salarial mantendo trajetória de elevação real, o trabalhador brasileiro ganha um colchão de segurança frente aos juros, o que sustenta sua visão de futuro.
Na avaliação de Lindemeyer, os dados indicam que o trabalhador se sente seguro em seu emprego e projeta um amanhã melhor, ainda que o presente exija cautela. "No entanto, ao cruzarmos esse alívio profissional com a manutenção crônica do medo da criminalidade (47%) e da corrupção (38%) - indicadores que perduram nas primeiras colocações de forma inabalável desde o primeiro trimestre de 2026 -, o desafio para a área de Experiência fica evidente", diz. "O consumidor ganha fôlego no holerite, mas transita por um ambiente externo que ele percebe como tenso e inseguro."
De acordo com a Ipsos, "a movimentação nas expectativas também acompanha o calendário de agosto, mês que marca o aquecimento do noticiário político e o início das campanhas eleitorais na mídia. Historicamente, ao observarmos janelas pré-eleitorais (como em agosto de 2022, quando o índice marcava 47,1 pontos), notamos que esses períodos tendem a movimentar as projeções futuras da população. No ciclo atual, a base de sustentação dessa expectativa está diretamente atrelada à sensação de segurança no emprego".
No entanto, segundo a nota da empresa, a percepção macro do País exige cautela. "Segundo o estudo What Worries the World, a avaliação de que o Brasil está no 'rumo certo' marcou 40% (+1 ponto porcentual no mês). Apesar da estabilidade do indicador, 6 em cada 10 brasileiros continuam entendendo que o País segue no rumo errado. Esse dado reforça que o momento exige a concretização de boas notícias para aplacar as tensões do cidadão, especialmente em um ambiente onde as informações são rapidamente potencializadas e propagadas pela internet."