Comissão que vai debater fim da 6x1 terá comando governista e autores de PECs entre integrantes

Autor de proposta que trata de hora trabalhada também vai compor colegiado; governo sinaliza que vai manter urgência constitucional de seu projeto sobre redução de jornada até ver relatório final

29 abr 2026 - 15h53

BRASÍLIA - A comissão especial que vai debater o mérito (conteúdo) da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre fim da escala 6x1 terá comando governista e será composta majoritariamente por parlamentares da base aliada ou que já se manifestaram favoravelmente ao tema - sinalizando que a PEC terá pouca resistência no colegiado.

A comissão foi instalada nesta quarta-feira, 29. O comando ficará a cargo de deputados aliados do governo, que concorreram como chapa única. No total, foram 28 votos favoráveis e três em branco.

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O presidente será Alencar Santana (PT-SP). A primeira vice-presidente será a deputada Daiana Santos (PC do B-RS), autora de um projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

O segundo vice-presidente será Luiz Gastão (PSD-CE), que elaborou um parecer sobre o projeto de Daiana em subcomissão da Comissão de Trabalho da Câmara. E o terceiro vice-presidente será Mauro Benevides Filho (União-CE), que era do PDT até a janela partidária.

Dos 38 titulares, ao menos 21 têm perfil governista ou simpático à proposta, entre eles os dois autores de PECs que acabam com a 6x1: o petista Reginaldo Lopes (MG) e a psolista Erika Hilton (SP), que popularizou o debate.

A oposição também está presente, mas em menor número. O deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que protocolou uma PEC que defende o pagamento por hora de trabalho, conseguiu ser indicado pelo PL para compor o colegiado. O ex-tucano Lucas Redecker (PSD-RS), que manifestou preocupação com o impacto sobre as empresas durante a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça, também está entre os titulares.

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Transição e compensação em debate

O relator da comissão será o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que também relatou o projeto de Daiana na Comissão de Trabalho. Em entrevista ao Estadão, o relator defendeu que uma compensação ajudaria a suavizar a mudança, mas disse que uma decisão sobre isso cabe ao governo.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já disse algumas vezes que é contra a compensação, que também encontra resistência no Ministério da Fazenda.

Prates também avalia que uma regra de transição amenizaria o impacto da redução da jornada. "Quero mitigar ao máximo os problemas que estão sendo colocados pelo setor produtivo sem tirar a melhoria da qualidade de vida do trabalhador", afirma Prates.

"Eu considero coerente (a regra de transição) e eu considero também que o mercado precisa de um tempo de adaptação. Ninguém quer fazer a fórceps", disse.

Ele também defendeu que o governo retire a urgência constitucional sobre o projeto de lei enviado em meados de abril e que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário.

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No entanto, o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sinalizou que isso só aconteceria depois que o relatório final da PEC fosse fechado na comissão especial.

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