Durante anos, o Brasil foi reconhecido como um dos maiores consumidores de jogos eletrônicos do mundo. Agora, empresas nacionais começam a ganhar espaço também como exportadoras de propriedade intelectual para a indústria global de games. Um dos principais exemplos é a Afterverse, estúdio brasileiro responsável pelo PK XD, jogo infantil que já ultrapassou 1 bilhão de downloads e reúne milhões de jogadores em dezenas de países.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Criada inicialmente como parte do Grupo Movile e hoje atuando de forma independente, a empresa desenvolve jogos voltados ao público infantojuvenil e tem como principal aposta um universo virtual em que crianças podem criar avatares, construir casas, personalizar roupas, desenvolver minigames e interagir em um ambiente focado na criatividade.
"O sucesso do jogo prova que criatividade, tecnologia e conhecimento sobre o público infantil podem competir em nível global. Nosso objetivo nunca foi apenas desenvolver um jogo, mas construir um universo seguro, criativo e social onde crianças possam explorar sua imaginação e criar suas próprias histórias", afirma Rodolfo Reis, CEO da Afterverse.
Embora não divulgue o faturamento por considerar a informação estratégica, a companhia afirma ter crescido aproximadamente 70% nos últimos dois anos e projeta uma expansão de cerca de 40% em 2026. Atualmente, o PK XD está presente em praticamente todos os mercados relevantes da indústria de games. Os principais em receita são Brasil, Turquia, Estados Unidos e Emirados Árabes.
Modelo de negócios sem publicidade
Ao Terra, o CEO Rodolfo explicou que toda a receita da Afterverse vem das compras realizadas dentro do aplicativo (in-app). A empresa afirma que decidiu retirar completamente a publicidade do PK XD para oferecer uma experiência mais segura aos jogadores.
"A receita vem em sua totalidade de in-app. Recentemente tiramos o ads do jogo com o intuito de tornar a experiência do jogador melhor além de reduzirmos a zero qualquer risco em relação a isso”, frisa.
A companhia não divulga informações como faturamento anual nem o ticket médio dos usuários pagantes, alegando que esses dados também fazem parte de sua estratégia competitiva.
Expansão internacional e segurança digital
Mesmo presente em dezenas de países, a empresa afirma que continua investindo na conquista de novos mercados. "Estamos sempre buscando novos mercados que possam trazer novos usuários para o PK XD. Ultimamente estamos com resultados bem positivos na Europa, por exemplo."
Além do PK XD, a empresa também mantém o Crafty Lands, jogo sandbox focado na construção de blocos. Apesar disso, o foco da empresa permanece na evolução do seu principal produto.
Sobre o tópico da segurança digital, Reis afrma que este compromisso acompanha o desenvolvimento da plataforma desde sua criação. O PK XD utiliza um mural de interações baseado em frases predefinidas, ferramentas de monitoramento, canais de denúncia e iniciativas como o selo PK XD Safety, criado para incentivar boas práticas entre famílias e responsáveis.
"A diversão só faz sentido quando vem acompanhada de responsabilidade. Desde o início, desenvolvemos o PK XD pensando em oferecer um ambiente que incentive criatividade, convivência e respeito. A tecnologia evolui rapidamente, assim como os desafios da segurança digital, por isso nosso compromisso é evoluir continuamente para oferecer uma experiência cada vez mais segura para crianças e mais transparente para os pais."
Questionado sobre o tempo médio de permanência das crianças no jogo, o executivo afirma que esse indicador não é a principal preocupação da empresa.
"Aqui não temos a preocupação de quanto tempo os jogadores ficam no nosso jogo, para nós o ponto mais importante é que seja um ambiente seguro e saudável para os jogadores, que independente de quanto tempo ele passe seja um momento divertido, de muita exploração, onde a imaginação de um mundo aberto possa levá-lo para onde quiser, sem nenhum tipo de pressão ou obrigação”, concluiu.