Nem só de latinha gelada vive uma tese de investimento. A Coca-Cola FEMSA teve um 2T26 mais forte que o esperado, puxada principalmente por Brasil, Colômbia e Guatemala, mesmo com um trimestre mais fraco no México. Com isso, o BTG Pactual elevou o preço-alvo da companhia e manteve recomendação de compra para a Coca-Cola FEMSA.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (27), o banco afirmou que o Ebitda ajustado da companhia subiu 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando 3% acima das estimativas do BTG e do consenso de mercado.
O preço-alvo foi elevado para 211 pesos mexicanos por unit, equivalente a US$ 120 por ADR, ante 200 pesos mexicanos anteriormente. Considerando o preço de 189,68 pesos mexicanos, ou US$ 108,99 por ADR, o retorno total esperado é de 15,3%.
Brasil e Colômbia puxam resultado
Segundo o BTG, os volumes consolidados da Coca-Cola FEMSA cresceram 3,5% no 2T26. A Colômbia foi o principal destaque, com avanço de 18%, seguida pelo Brasil, com alta de 5%. Também houve crescimento em Guatemala, América Central Sul, México e Uruguai. Na Argentina, os volumes caíram 3%.
A receita consolidada subiu 5% no trimestre. No Brasil, a alta foi de 12%, enquanto a Colômbia avançou 22%. Já o México ficou estável, Guatemala caiu 4%, Argentina recuou 6% e Uruguai teve baixa de 2%.
Para os analistas, a melhora na América do Sul tem um componente mais estrutural. A margem bruta consolidada subiu 180 pontos-base, com ajuda de menores custos com adoçantes, PET mais barato e câmbio favorável. Na América do Sul, a expansão foi de 220 pontos-base.
O relatório também destaca que a operação brasileira ganhou participação em todas as categorias. No país, a Coca-Cola FEMSA cresceu 3% em bebidas carbonatadas e 20% em bebidas não carbonatadas no acumulado do ano. O Monster também foi citado como destaque, com crescimento de 25% no Brasil nos últimos 12 meses.
O que sustenta a visão positiva?
O BTG elevou o múltiplo-alvo de P/L para 16 vezes, ante 15 vezes antes. A mudança reflete maior otimismo com o poder de preços no México, a expansão da Coca Zero em México e Guatemala, o avanço do Monster, a normalização da atividade na Venezuela e possíveis ganhos de margem com investimentos digitais.
No México, a companhia deve voltar a reajustar preços em agosto, depois de ganhar participação de mercado. Ainda assim, o banco reconhece que o ambiente de consumo no país segue mais lento.
Para 2026, o BTG passou a trabalhar com números mais altos, apoiados pelos resultados melhores na América do Sul e por uma taxa efetiva de impostos menor. A projeção é de receita de 308,3 bilhões de pesos mexicanos, Ebitda de 63,2 bilhões de pesos mexicanos e lucro líquido de 24,8 bilhões de pesos mexicanos.
O relatório também aponta riscos para a tese, como moedas locais mais fracas, maior regulação, aumento no preço de concentrados, risco de alocação de capital e alta nos custos de embalagens e adoçantes.
Ainda assim, a combinação de Brasil forte, Colômbia acelerando, ganhos de margem e novas oportunidades de crescimento mantém a visão positiva para a Coca-Cola FEMSA.