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Casa Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e avalia pedir recuperação judicial

Varejista fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários em meio à reestruturação; prejuízo ajustado sobe 76%, para R$ 978 milhões

16 ago 2026 - 13h38
(atualizado às 17h36)

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, fortemente afetado por efeitos não recorrentes, enquanto o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões, alta de 76,2% em um ano. Em meio à deterioração dos resultados, a varejista fechou 298 lojas, reduziu o quadro de funcionários e admite avaliar uma nova recuperação extrajudicial ou até um pedido de recuperação judicial.

Apesar do aumento do prejuízo ajustado, a receita líquida cresceu 1,6% na comparação anual, para R$ 6,98 bilhões, e o volume bruto de mercadorias (GMV) avançou 0,5%, para R$ 10,51 bilhões. Nas lojas físicas, porém, o GMV caiu 3,2%, para R$ 6,08 bilhões, refletindo o processo de redução da operação.

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Segundo a empresa, o movimento é impulsionado por um "ambiente macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro de bens duráveis, caracterizado por elevado custo de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores".

Entre as medidas avaliadas pelas Casas Bahia estão uma nova recuperação extrajudicial ou um pedido de recuperação judicial.
Entre as medidas avaliadas pelas Casas Bahia estão uma nova recuperação extrajudicial ou um pedido de recuperação judicial.
Foto: Márcio Fernandes/ Estadão / Estadão

"Além disso, houve uma redução nos limites de crédito concedidos por seguradoras a fornecedores, o que obrigou a companhia a reduzir seu volume de compras e, consequentemente, operar em uma escala menor", afirmou a empresa na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.

Nesse cenário, a empresa admite explicitamente a possibilidade da RJ. "Dentre as medidas avalias pela Companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", disse.

Reestruturação da empresa

Do prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, cerca de R$ 9,1 bilhões estão relacionados a efeitos não recorrentes. O maior impacto, de R$ 5,56 bilhões, veio de imposto de renda e contribuição social diferidos. A companhia reconheceu ainda R$ 1,8 bilhão em contingências contratuais, R$ 971 milhões em baixa de ágio, R$ 502 milhões em gastos relacionados à reestruturação e R$ 210 milhões ligados a ativos imobilizados e à reorganização da operação.

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A pressão também aparece no resultado financeiro. O saldo ficou negativo em R$ 1,28 bilhão, piora de 11,4% na comparação anual, enquanto as despesas financeiras cresceram 7,3%, para R$ 1,35 bilhão. Segundo a companhia, o resultado reflete, entre outros fatores, o elevado custo de capital no Brasil.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,2 bilhões. Além do fechamento das lojas e redução no quadro de colaboradores, a Casas Bahia prevê um redimensionamento dos investimentos, com foco em projetos de tecnologia e logística.

Reestruturação da Casas Bahia prevê diminuição no quadro de funcionários, lojas ativas e mudança no modelo de negócios.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Na prática, a companhia deve priorizar a comercialização de produtos por canais digitais próprios, reduzir os estoques e vender participações em ativos para aumentar a liquidez. "Tamanho é consequência, não objetivo.

Em um ambiente de maior custo de capital, a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno", disse a empresa no documento de divulgação dos resultados.

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Vendas crescem pouco e margem recua

Em meio à reestruturação, a Casas Bahia ainda apresentou crescimento modesto das vendas. A receita líquida avançou 1,6% em um ano, para R$ 6,98 bilhões, enquanto o volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado cresceu 0,5%, para R$ 10,51 bilhões. Nas lojas físicas, o indicador recuou 3,2%, para R$ 6,08 bilhões.

O Ebitda ficou em R$ 518 milhões, queda de 9,4% na comparação com o segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda caiu 0,9 ponto porcentual, para 7,4%. A companhia também registrou aumento da inadimplência no carnê: a parcela dos pagamentos atrasados há mais de 90 dias chegou a 8,9%, alta de 0,5 ponto porcentual em um ano.

Abstenção de conclusão

A companhia registrou fluxo de caixa livre de R$ 798 milhões no segundo trimestre, ante R$ 852 milhões nos três primeiros meses do ano. Ainda assim, a situação da empresa é tão desafiadora que a auditoria Ernst & Young emitiu um relatório com abstenção de conclusão sobre as demonstrações financeiras.

Os auditores destacaram uma "incerteza relevante" sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia, citando o patrimônio líquido negativo e o fato de as obrigações de curto prazo (passivo circulante) excederem os ativos disponíveis (ativo circulante).

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"A Companhia depende da implementação bem-sucedida de determinadas medidas operacionais e financeiras para suportar suas necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados", disse a auditoria, o que reforçaria a necessidade de uma eventual recuperação judicial ou extrajudicial.

Mobilização de funcionários

Na última sexta, 14, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) manifestou preocupação com o fechamento repentino de unidades da rede Casas Bahia na região metropolitana de São Paulo.

Companhia anunciou o fechamento de 298 lojas no relatório divulgado no segundo trimestre.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Em comunicado, a entidade afirma que os funcionários foram pegos de surpresa diante da interrupção das operações e já está adotando medidas para garantir que todos os direitos trabalhistas dos empregados sejam integralmente respeitados.

De acordo com a apuração do Valor Econômico, a companhia demitiu 1,9 mil pessoas neste processo de reestruturação.

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