Brasil tem superávit comercial de US$68,3 bi em 2025 e governo vê saldo de até US$90 bi em 2026

6 jan 2026 - 15h47
(atualizado às 17h06)

O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, marcando um recorde de exportações, mesmo com a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, e crescimento mais forte das importações, mostraram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta terça-feira.

Para 2026, ‌o MDIC previu um superávit mais forte, de US$70 bilhões a US$90 bilhões, com exportações entre US$340 bilhões e US$380 bilhões, enquanto as importações ficariam entre US$270 bilhões ‌e US$290 bilhões.

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O superávit da balança comercial brasileira em 2025 ficou acima das previsões do governo. O MDIC projetava um saldo positivo de US$60,9 bilhões para o ano, em estimativa informada em outubro.

O resultado comercial do ano passado, que ficou abaixo apenas dos superávits anuais de 2023 e 2024, reflete um valor de US$348,7 bilhões em exportações -- patamar mais alto da série histórica -- e de US$280,4 bilhões em importações, nível também recorde.

As exportações em 2025 ficaram 3,5% acima do resultado do ‍ano anterior, consequência de aumento do volume vendido, mais do que compensando um recuo nos preços médios dos produtos. Já as importações subiram com mais força, alta de 6,7% em relação ao verificado em 2024.

Em meio ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, houve recuo nos embarques para o país norte-americano, uma queda de 6,6% no ano, segundo o MDIC. A participação do país norte-americano no total das exportações brasileiras caiu ‌de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025.

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Por outro lado, as vendas para China cresceram 6% no período, levando o ‌país asiático a responder por uma fatia de 28,7% das exportações brasileiras no ano passado, ante 28,0% em 2024. A China é o maior comprador de produtos do país.

Outro destaque foi a Argentina, cujas compras do Brasil cresceram mais de 30% no ano, impulsionadas pelo comércio de veículos.

Os Estados Unidos impuseram em agosto do ano passado uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, provocando alarme em setores produtivos e levando o governo a anunciar medidas emergenciais de crédito e alívio tributário.

Enquanto produtores buscavam mercados alternativos para direcionamento dos produtos, negociações levaram os EUA a ampliarem exceções à tarifa ao longo do ano, aumentando a lista de itens poupados da cobrança. Em novembro o governo estimou que 22% das exportações para os EUA seguiam sujeitas à taxa de 50%.

"Mesmo com todo o quadro de dificuldade, chegamos a um nível recorde da corrente de comércio em 2025, mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e dificuldades geopolíticas", disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificando o comércio do Brasil como resiliente e competitivo.

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PETRÓLEO E SOJA LIDERAM EXPORTAÇÕES

No recorte por setores, as vendas do Brasil ao exterior cresceram com mais força na agropecuária (+7,1%), seguida da indústria de transformação (+3,8%). Por outro lado, as exportações da indústria extrativa caíram 0,7%.

O principal produto da pauta exportadora do Brasil em 2025 foi o petróleo, com 12,8% de participação. No ano, o valor vendido caiu 0,7% por conta de uma queda de preços, apesar de uma elevação no volume embarcado.

Segundo Alckmin, as exportações de petróleo do Brasil devem crescer neste ano por causa da exploração do pré-sal.

Ainda no recorte de produtos, o segundo item mais exportado pelo Brasil foi a soja, com 12,5% de participação e ‌aumento do valor vendido apesar da queda nos preços médios.

A terceira posição ficou com minério de ferro, com participação de 8,3% após registrar queda de 3% no valor vendido no ano.

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Na quarta posição ficou a carne, com expressiva alta de 42,5% no valor exportado, atingindo nível recorde diante de forte alta nos volumes vendidos e nos preços.

O saldo anual do comércio exterior brasileiro foi incrementado pelo resultado de dezembro, um superávit de US$9,633 bilhões, com US$31,037 bilhões em exportações e US$21,405 bilhões em importações.

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