BCE agirá de forma proativa contra inflação elevada mesmo após acordo com o Irã, afirma Lane

16 jun 2026 - 12h18

O ‌Banco Central Europeu continuará a ser "proativo" em sua batalha contra a inflação elevada mesmo após um acordo entre os Estados Unidos e o Irã ter reduzido os preços da energia, afirmou nesta terça-feira o economista-chefe do BCE, Philip Lane.

O BCE elevou as taxas ⁠de juros pela primeira vez em quase três anos na semana ‌passada e deixou em aberto a possibilidade de um novo aperto monetário para evitar que o aumento nos custos dos combustíveis, ‌causado pela guerra no Irã, se espalhe ‌para outros preços.

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Lane disse que os preços do petróleo permaneceram ⁠acima dos níveis pré-guerra mesmo após queda nesta semana, e que o BCE manterá sua batalha contra a inflação, que agora deve ficar acima da meta de 2% por um ano.

"Continuaremos a ser proativos na política monetária de acordo com a evolução dos ‌riscos", disse ele em entrevista na conferência Reuters NEXT Europe em Londres.

O ‌acordo preliminar entre ⁠os Estados Unidos ⁠e o Irã prolongará um frágil cessar-fogo e reabrirá o Estreito de Ormuz, ⁠que o Irã bloqueou efetivamente ‌desde que os EUA ‌e Israel atacaram o país em fevereiro.

PREÇOS DO PETRÓLEO

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Lane observou que os investidores financeiros estão apostando que os preços do petróleo Brent permanecerão acima de US$70 por barril nos próximos anos, ⁠situando-se entre o cenário básico do BCE e o mais moderado, mas mais próximos do primeiro.

"Está oscilando entre nosso cenário básico e o mais moderado. Mas, no fim das contas, acho que, em uma perspectiva de vários ‌anos, ficará mais próximo do básico", disse Lane.

O BCE prevê uma inflação de 3,0% neste ano, 2,3% no próximo ano e ⁠2,0% em 2028 em seu cenário de referência, enquanto o cenário mais moderado aponta para uma inflação abaixo da meta no próximo ano.

RESILIÊNCIA

Em comentários adicionais que podem ser interpretados como defesa de mais aumentos nas taxas de juros, Lane listou uma série de fatores que compensariam, em parte, o choque energético na economia da zona do euro.

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Esses fatores vão desde uma recuperação no setor da construção até o aumento dos rendimentos reais e maiores gastos fiscais na Alemanha, disse Lane.

"Muitos itens individuais são positivos", disse ele. "E, portanto, o choque energético claramente negativo se insere no contexto dessa resiliência mais ampla."

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